Mães (im) perfeitas

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Um dia, estava eu e minha filha no ponto de ônibus, quando uma moça disse:

— Olha, o tênis dela está ao contrário. Dói o pezinho, tadinha! Mas também, né, sei como é, com criança pequena, uma correria para levar para a escola, pegar ônibus…

Eu dei a ignorada básica de quem não se importa com a opinião alheia, e depois, quase sussurrando, fui me justificar:

— Já vi. Estou esperando entrar no ônibus para colocar o tênis direito!

Não era mentira. Eu realmente já tinha percebido que o calçado dela estava errado, e ia trocar no ônibus, mas aquele diálogo com uma estranha me incomodou bastante, ao mesmo tempo que me fez refletir sobre como as pessoas usam de condescendência para julgar tudo o que as mães fazem. E sobre como esperam que mãe sejam perfeitas, não tenham sentimentos ruins, nem que odeiem a maternidade, às vezes. Continuar lendo

Tosse em crianças -O que fazer quando ela aparece

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Uma das grandes causas das noites mal dormidas das mães tem um nome: tosse. Não a delas, obviamente, por que ninguém se importa com a pobre da mãe (kk. Brincadeirinha!), mas a das crianças. Ah, como a gente sofre quando nossos filhos começam a tossir e tossir e tossir, sem parar! Aí vem o xarope, a inalação, as mandingas. 

A tosse, juntamente com a febre, é um dos sintomas mais comuns e mais incômodos durante a primeira infância. Muitas mães, no afã de curar seus bebês (sempre serão bebês para nós, ok?), recorrem aos chazinhos, xaropes e afins. Mas é importante saber que nem sempre isso é o mais recomendado. Ora, quer saber por quê? Vem comigo, que te conto. Continuar lendo

Não projete coisas nos seus filhos

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Ninguém pode imaginar que o amor de uma mãe pode ser algo nocivo para seus filhos. No entanto, muitas vezes, a expectativa que criamos em torno deles pode gerar angústias tão grandes na criança, que, aquele sentimento que julgamos incondicional e caloroso – sua excelência, o amor, – acaba tornando-se uma forma de opressão, pois existe uma pedra que atrapalha esse “correto” caminho do sentimento – e esse obstáculo chama ser humano.

Embora soe como uma piada, não é. Nós somos compostos de uma complexidade de sentimentos bons e ruins e carregamos conosco a soma de todas as nossas experiências e medo do futuro. Quando experimentamos o amor de mãe, de pai, esse poderoso sentimento vem somar-se a tudo que já somos. Não viramos seres perfeitos, após termos filhos, isso é óbvio. Mas, talvez, na busca por fazer nossas crias felizes a todo custo, nós, muitas vezes, projetamos o que não fomos – e gostaríamos de ter sido – e também o que não conquistamos. 

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Não ensine seu filho a odiar

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Embora resida em todos nós sentimentos bons e outros nem tanto, é tudo muito mais fácil – e mais feliz – quando a gente está em paz com nós mesmos e com os outros. Isso não é discurso de contos de fadas, é apenas bom senso. Acontece que esse dom do bom senso está bem em falta no mundo, e o resultado é que vivemos tempos sombrios, muito nefastos mesmo. Ora, por que estou dizendo isso? Se você mora no Planeta Terra, deve imaginar por quê. Nunca antes na história desse país se viu tanto ódio por metro quadrado.  Continuar lendo

O mundo de faz-de-conta das crianças (e o que a gente tem a aprender com ele)

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A gente percebe que os nossos filhos estão crescendo quando deixamos de ser “úteis” em situações que antes éramos “imprescindíveis”, como vestir uma peça de roupa, por exemplo. Outra das coisas que as crianças vão aprendendo a fazer sozinhas é brincar. Eu não percebi em que momento que a Valentina começou a me “expulsar” das brincadeiras. Um dia, no entanto, achei bem sintomático, foi quando percebi ali mais uma prova de que ela está crescendo rápido demais, como já disse aqui. Continuar lendo

5 formas simples de acabar com as birras

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Tenho falado constantemente aqui sobre este momento glorioso na vida dos pais: a birra. A hora em que a gente olha para as estrelas imaginárias na nossa cabeça, e começa a contá-las uma a uma como um dedicado monge budista faz suas meditações. Enfim, ninguém gosta desses momentos, toda mãe adoraria nunca passar por isso. Mas faz parte, ô se faz! E aí, quando acontece, existem várias formas de “enfrentamento”. Tenho dito aqui da importância da paciência, de não gritar, de dar o exemplo, de ter empatia e tudo mais. Todas dicas ótimas, mas há quem ache que não são lá  muito práticas ali na hora do vamos ver.

Sabe aquela hora que a criança grita em uma altura tão alta que assusta até os cachorros, e chora em uma harmonia desarmônica por horas a fio? Então nessa hora existem algumas medidas mais práticas digamos assim. Eu já testei todas elas, e vou dizer aqui qual achei que funcionou melhor e tal. Mas, vale lembrar, o alvo do meu “experimento” foi minha filha, que certamente não é igual a sua, pois cada criança e única e esse papo todo que sempre falo, em praticamente todos os posts. Pois bem, se você, mãe, não sabe mais o que fazer nesses gloriosos momentos de birra, seus problemas acabaram (rsrsrs). Tenho aqui 5 formas de acabar com elas. Olha só: Continuar lendo

O menino do cabelo vermelho (ou os papos incríveis que temos com as crianças)

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Um dia, minha filha, durante o banho começou a olhar para um boneco que ela tem, dizendo que era parecido com um desenho. 

— Mãe, parece aquele desenho lá!

E eu:

— Ah, é? Qual desenho!?

— Aquele lá, mãe.

— Não sei qual, filha. Me conta. 

— Sabe, mãe. Aquele lá.

E eu, vendo que o papo não estava evoluindo, e que ela ia ficar parada na mesma frase, achando que eu tenho poderes sobrenaturais de ver coisas que, na verdade, não vi, tentei buscar mais pistas:

— Você viu na escola?

— É, mãe. Aquele lá, que tem o menino do cabelo vermelho…

Eu pensei: hum, menino do cabelo vermelho. Deixa eu lembrar dos desenhos que já vi durante os meus 33 anos de existência e que tinham um menino do cabelo vermelho. Continuar lendo

Vamos falar sobre castigo?

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Há algum tempo, quando Valentina era um lindo bebê cheiroso e fofinho, eu não conseguia entender como tinha gente que perdia paciência com crianças. “Mas, gente, esses seres lindos e graciosos, como alguém pode gritar com eles?”, dizia eu do alto da minha ingenuidade completa de mãe de primeira viagem. Acontece que o tempo foi passando, minha filha foi crescendo, e eu fui entrando no universo das mães-atormentadas-que-não-sabem-o-que-fazer-em-alguns-momentos. Não queira você conhecer esse lugar, é bem desconfortável e meio desesperador. 

Sim, crianças tiram a paciência dos adultos, principalmente se o adulto em questão for a mãe delas. Por volta dos 2, 3 anos, elas começam a se enxergar como pessoas, dotadas de vontades e um milhão de perguntas por hora. De vez em quando, entram em uma espécie de curto-circuito e fazem o contrário do que a mãe pede, enquanto puxam o rabo do cachorro e derrubam a toalha da mesa. Tudo isso regado a um choro de 500 decibéis.

Nessas horas, em que nada adianta, é a hora do castigo. Pelo menos, aqui em casa. Mas vou falar uma coisa para você: castigo não funciona! E eu cheguei a essa brilhante conclusão depois de alguma experiência como mãe de uma menina de 3 anos.

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Crianças crescem rápido demais

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Um dia, eu me dei conta de que ela está crescendo rápido demais. Se antes cabia, confortável, no meu colo, hoje, as pernas grandes demais,  ficam pendendo, quase a tocar as minhas, quando eu ainda insisto em carregá-la comigo. Só quem convive com crianças sabe mensurar a agilidade do tempo. Um dia a gente acorda e nossos filhos já estão nos olhando de baixo para cima, porque a altura já não permite que pareçamos tão grandes quanto eles pensavam que éramos, anos atrás.  Continuar lendo

A criança que morde: por que acontece e o que fazer?

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Um dia recebi uma mensagem de uma das professoras da Valentina: Sua filha levou uma mordida de um coleguinha, mas já conversamos com ele, e a acalmamos. Também passamos uma pomada no local da mordida. Eu estava no metrô e lembro que só pensei algo como “Cedo ou tarde isso ia acontecer”. Perguntei para a professora como a Valentina reagiu e agradeci o cuidado em avisar. Quando minha filha chegou em casa, conversamos sobre e eu vi a tal da marca. Algum tempo depois, vi o “autor” da mordida, um menininho até menor que a Valentina, de cabelo grande amarrado. Eu até brinquei com ele: “Você mordeu minha menina, né?”. E ele, alheio a tudo, saiu saltitando, nem ligou para mim.

O fato acima aconteceu faz tempo, a Valentina tinha entrado há pouco tempo na escolinha. De lá para cá acho que aconteceu mais uma vez, com outra criança como “autora” da mordida, e sempre pelo mesmo motivo: disputa por brinquedo. Porém só fui ler a respeito quando o quadro se inverteu: e a “autora” da mordida passou a ser minha filha. Só aconteceu uma vez. Uma única ocasião que ela tascou o dentão no colega. A professora me avisou, disse que conversou com ela, colocou no “cantinho do pensamento”, mesmo procedimento de sempre. Eu – assim que Valentina chegou – tentei um diálogo com ela, mas minha pequena parecia envergonhadíssima, não quis conversa por bastante tempo. Depois, conversamos. Expliquei que não podia, que machucava e tudo mais. E vou te falar que doeu mais quando ela mordeu alguém, do que quando foi mordida.

Esse início de post longo demais é para avisar que o tema de hoje é esse mesmo: mordida. Se você tem uma criança em casa, ou já passou por isso ou vai passar. Sinto muito. Acontece nas melhores famílias…rs. Continuar lendo