Sobre fazer as vontades dos filhos

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De vem em quando, o mundo da maternidade da mídia nos presenteia com alguma notícia curiosa, impactante ou ambas. Recentemente, não foi diferente. Apareceu aí uma news de que uma mãe brigou com uma conhecida, porque a última não deixou o filho da primeira brincar com os itens de uma coleção. Antes que me perguntem o que eu acho (ninguém fez isso, mas vai fazer…haha), afirmo que não dá para avaliar corretamente essa pequena história por que não conheço todos os elementos e nem sei como o troço procedeu de fato. Seria leviano, e nada produtivo. Prefiro sair pela tangente (de vez em quando, é bom) dizendo que não vejo certo nessa história, e que a criança, a meu ver, é uma vítima. Ponto.

No entanto, essa notícia me lembrou de algo que eu queria falar aqui já há algum tempo. Sobre essa coisa de fazer as vontades da criança ou não, até que ponto ceder, como usar corretamente o não milagroso, e o que é “mimar”. São muitos dilemas na minha cabeça reflexiva, pois minha pequena tem dois anos e meio e me testa o tempo todo, como todo baby adolescente costuma fazer (já falei sobre adolescência do bebê aqui). Acontece que geral diz que Valentina é uma criança encantadora e boazinha. Que não faz raiva para ninguém. No entanto, já ouvi de uma pessoa que estou a mimando por dar afeto e atenção demais, ser muito boazinha, essas coisas. E tudo isso me fez refletir sobre esse troço todo de fazer as vontades dos filhos. Continuar lendo

Mãe também é mulher

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Ah, como mulher sofre! Sim. Sofre. O tempo todo. E por todos os motivos. Não estou falando metaforicamente, estou sendo prática. Desde o momento em que o médico diz, lá no começo, ainda no ultrassom: “É uma menina”, uma vida de desigualdades, dificuldades e TPM se abre em flor para aquele pequeno ser. Você pode estar dizendo:

— Ah, mas homem também sofre! Para com essa história!

E eu respondo:

— Primeiramente, este blog é sobre mães e você, que disse isso, provavelmente é homem, então nem vem, você nem deveria estar aqui, lindo (kkk).

Brincadeira. Homens são bem-vindos.

Nem tanto.

Não tem como negar que mulheres são tratadas de modo diferente e têm uma série de percalços que os homens nem de longe enfrentam. Menstruação? Parto? Salto alto? Cobranças? Julgamentos pelo comprimento da roupa? Salários menores só por causa do gênero? Sim. A lista é longa. E nem é disso que quero falar. Só comecei dizendo isso para contextualizar o post. Que é sobre mulheres. Ou melhor, mulheres que se tornam mães. Ou melhor, mulheres que se tornam mães e parecem que perdem a condição de mulheres.

Enfim, deu para entender. Agora sim, chego ao começo (rs).
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Terceirizar os filhos é sempre uma péssima escolha

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Na época da minha gestação, fazia planos de que, ao voltar da licença maternidade, iria colocar a Valentina em um berçário. Pronto, acabou! Não gostava muito da ideia de babá, e nem pensava jamais em parar de trabalhar. Na minha cabeça era tranquilinho: eu ia ali ter um bebezito, e já voltava ao mercado de trabalho. No entanto, bastou nascer para eu ver que teria bastante dificuldade de seguir meu cronograma perfeito de uma carreira que estava só começando. A dificuldade era que eu tinha me tornado mãe, amava aquela pequenininha mais que tudo nesse mundo, e tinha uma responsa tremenda, que era minha, quase que totalmente.

Por que estou dizendo isso? Há um tempo li um texto da Rita Lisauskas – que eu adoro, considero uma irmã de mentalidade materna, só que com muito mais grana e fama…hahaha – abordando a questão das escolas que fazem TUDO pelos pais, em troca de, evidentemente, uns dinheirinhos de gente bem rica. Enfim, nesse material ela fala a respeito do quanto estamos terceirizando nossos filhos, e isso me acendeu  a luzinha da vontade de falar sobre isso também. Lembrei que simplesmente tive uma tremenda dificuldade de deixar minha pequena aos cuidados dos outros,  quando retornei ao trabalho. Berçário então, nem se fala. Logo desconsiderei pela grande verba que eles exigem e também por que não queria deixar a Valentina com desconhecidos.
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Saiba por que é normal bebês pequenos se assustarem tanto

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No primeiro dia da Valentina na maternidade, mais conhecido como primeiro dia da vida dela, eu fiquei muito curiosa e apreensiva com uma cena que se repetiu muito, enquanto ela ficava no bercinho, ao meu lado: a todo momento, ela erguia os braços e as pernas, ficava tensa, como se tivesse levado um susto. Eu, mãe de primeiríssima viagem, achava que tinha alguma coisa errada com a pequena. Minha apreensão só passou quando ela fez a primeira consulta pediátrica (não lembro bem, mas acho que foi logo na primeira semana).

Enfim, esse sustão que ela levava,  às vezes, continuou se repetindo, principalmente, quando ela pegava no sono. Qualquer barulho ou coisa parecida, e lá ia ela se assustando toda. Claro que, naquele momento, eu já entendia o que era aquilo, mas me incomodava que essas coisas só acontecessem no momento de dormir (mãe cansada. Entendam). Dia desses, refletindo sobre o post do dia, lembrei disso e descobri que muitas mães têm dúvida parecida. É normal bebês pequenos se assustarem tanto? Aqui vai a resposta: Sim. É normal, esperado, padrão de recém-nascidos. Agora, me aguarde, que vou explicar por quê. Continuar lendo

Desmame natural: a melhor forma de respeitar o tempo da criança

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Quando eu não era mãe, reinava em mim a ignorância a respeito de tudo que envolvia amamentação. Natural, tendo em vista que eu não tinha interesse no assunto, não perguntava sobre isso, não pesquisava. Tinha colhido meia dúzia de lugares comuns e seguia com eles, firme e forte. Depois que virei mãe, evidentemente, tudo isso mudou. Joguei os lugares comuns na lata do lixo e fui me informar de verdade. Em partes, foi assim que descobri a complexidade da amamentação. Certamente o peso maior foi ser a outra ponta do elo que conectava tão profundamente um bebê a sua mãe. Foi só quando a minha filha olhou nos meus olhos e sorriu com a alma, que eu percebi que amamentação era coisa divina mesmo.

Por isso. Olha eu aqui falando dela de novo. Amamentação. Sim. Defendo e vou defender sempre o direito de uma mãe dar de mamar para seu bebê até a hora que ela quiser. E não digo isso só por que a minha Valentina, hoje com 2 anos e 4 meses, ainda mama, digo isso por que vejo o quanto a sociedade culpabiliza a mãe por tudo: por ela não conseguir dar de mamar, por dar de mamar tempo demais, por dar colo, por trabalhar fora, por não trabalhar fora, e por aí vai. No fim da contas, a mãe se estraçalha de tanta demanda que um filho necessita, e ainda se sente a pior das criaturas quando seu pequeno resolve fazer uma birra no supermercado, ou responde alguém mal, etc, etc.

Como sempre, sigo prolixa. Mas já entendeu pelo título que o assunto de hoje é desmame. E mais do que isso, é saber da importância de respeitar o tempo da criança, como eu canso de dizer aqui, por exemplo, nesse post. Continuar lendo

Como se dá o desenvolvimento do bebê no útero: a formação dos cinco sentidos

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Lembro de uma coisa quando eu estava grávida: a ideia de ter um bebê na minha barriga era algo muito, mas muito subjetivo. Peraí, não me abandone. Não estou aqui para falar besteira. O que quero dizer é que fisicamente eu me sentia grávida, lógico, principalmente no terceiro trimestre de gestação; mas interiormente, no meu emocional e na minha relação com o bebezinho sem nome e sem rosto, eu tinha dificuldade de entender que tinha um ser humano crescendo dentro de mim.

Quem já foi gestante, talvez me entenda. Quem não foi, pode me chamar de pirada. Acontece que o feto é um ser tão introjetado dentro da mãe, que, muitas vezes, parece que ele é apenas mais uma parte dela, e não outra pessoa. Entendeu onde quero chegar?

Não?

Nem eu. Peraí. Vamos começar de novo. Continuar lendo

Saiba por que o sling é bom para o seu bebê

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Na organização do enxoval do bebê, as gestantes faltam pirar com a quantidade de coisas que PRECISAM ser compradas para que o neném seja recebido com todo conforto e amor que merece. No entanto, tem muita coisa de enxoval que é apenas e simplesmente tralha sem sentido, e vai fazer a grávida gastar um dinheirão e se arrepender depois. Se quiser que eu te dê um exemplo, dou dois: não precisa – repita comigo – não precisa, comprar aquele kit berço de quinhentos milhões de reais. Também não tem necessidade – repita comigo – não tem necessidade, gastar seu rico dinheirinho com saída de maternidade. Para mais informações sobre tralhas de enxoval, leia o post Itens de enxoval que não vale a pena comprar. O negócio hoje, na verdade, é falar do que precisa, mais especificamente, de um item que pode ser seu amigão na maternagem, principalmente no primeiro ano. É o sling. Já ouviu falar dele? Continuar lendo

A importância do colo para os bebês

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Sim, vivo falando disso, mas percebi que nunca tinha feito um post somente sobre o assunto. E ele merece. Ô se merece! Ah, como eu ouvia críticas por “dar colo demais para minha filha”. Sim, ela vivia no colo, quando era recém nascida, principalmente. O TEMPO TODO. Eu aprendi a fazer as coisas com uma mão só não somente para desenvolver essa sábia habilidade motora, mas sim por necessidade. A Valentina fazia tudo junto comigo, no meu colo. Dormia muito no meu colo, tanto que o berço quase chorava de tristeza por que o bebê nunca chegava nem perto dele.

Eu, no período de grávida, já lia coisas a respeito, mas como sempre digo aqui, gestantes não são, necessariamente, mães, e elas se preocupam muito mais em preparar o ambiente para o bebê, do que com o bebê, digamos assim. Eu pesquisava mais enxoval, dor do parto, essas coisas. No entanto, intuitivamente, senti, desde o primeiro momento da maternidade, que o colo só podia fazer bem para a Valentina. E um dos posts mais legais que li na época “Lugar de recém nascido é no peito” me fez ter certeza de que eu estava no caminho certo. Continuar lendo

Síndrome de Burnout – Entenda por que mães são tão afetadas por esse distúrbio

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Quando você pensa em si, no seu estado, que palavra vem à sua mente? Peraí, deixa eu melhorar a pergunta: você sente que sua vida está passando plenamente, de modo a você conseguir usufruir das coisas boas; ou ela mais parece um trem desgovernado, com um passageiro que não entende bem o que está acontecendo? Veja bem, esse post não pretende ser uma espécie de auto-ajuda (talvez só um pouquinho. Por favor, deixa!), mas sim um alerta sobre como o excesso de atividades e funções da rotina podem acabar com sua saúde física e mental. Estou falando de uma situação conhecida na Medicina como “Síndrome de Burnout”, uma doença psíquica causada por um elevado nível de estresse, desgaste e tensão. Continuar lendo

Entenda por que crianças pequenas acordam à noite

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O sono é um tema que sempre aparece quando se trata de maternidade. Todo mundo sabe que mãe não dorme, que a gente faz de conta muito bem, mas não dorme. Enfim, eu como representante da categoria também sei que meu sono não é a sétima maravilha do mundo, e isso por um motivo muito simples: até hoje a minha filha acorda à noite, pelo menos uma vez. São raras (ah, e como são raras) as noites em que ela segue linda e dorminhoca um sono de noite inteira. Conto nos dedos e dá vontade de chorar. Mas não me desespero. Sei que esse dia há de chegar, e por isso andei pesquisando sobre o sono das crianças pequenas, pois sono de bebê já falei um montão aqui, por exemplo nessa série de posts.

Pois bem, existem inúmeros motivos que levam uma criança pequena, como a Valentina, que agora está com dois anos e cinco meses, a ter um sono mais agitado. Vou listar abaixo (já que sou boazinha) os principais. E ainda oferecer de bônus as explicações da querida Laura Gutman, que sabe tudo de maternidade, sobre o sono das crianças após os dois anos. Enfim, fique aqui comigo, que esse tema dá bastante pano para manga. Continuar lendo