Posts em série sobre tecnologia : O conto da criança e do celular

Crianca e tecnologia

Uma querida amiga de longa data me fez uma sugestão de pauta para o blog: por que não falar de tecnologia na infância, ou melhor como ensinar as crianças a lidarem com a avalanche de aparelhos eletrônicos, cada vez mais e mais potentes e perfeitos? Eis que amei a ideia e cá estou aceitando a sugestão. Mas, nesse post introdutório, quero só contar um caso (prometo que tem tudo a ver, você vai rir e se emocionar).

Eu sempre fui resistente e rígida a respeito do uso de aparelhos eletrônicos por crianças pequenas. Por causa disso nunca deixei a Valentina brincar em celular, tablet, etc. No entanto, um belo dia, não faz muito tempo, eu fiz um teste: baixei um joguinho para a faixa etária dela para ela “experimentar”. Porém, avisei: filha, só um pouquinho! Daqui a pouco a mamãe vai pegar o celular de volta. E ela: tá bom!

Só que você, que me lê, acha mesmo que foi “tá bom” a história toda?

É claro que não!!!!

Quando deu o tempo que eu estipulei na minha mente para tirar o celular da pequena, eis que ela me abriu um berreiro e não entendeu por que eu estava fazendo aquela maldade com ela. Um joguinho tão inocente, joguinho legal, como ela resumiu depois.

Achei esquisita a experiência, mas como curto uma teimosia, insisti mais algumas vezes: sempre por um tempo limitado, explicando para ela e tudo mais.

Acredito que não deu uma semana, e o berreiro quando terminava o “joguinho” continuava. E mais, Valentina foi sendo abduzida (sim, é essa a palavra), não queria brincar de outra coisa, quando eu chamava. Daí eu decidi: eliminei o joguinho do celular, sem dó, nem piedade. E expliquei para a minha pequena criança que ela não estava pronta para jogar, que precisava crescer mais, que essas brincadeiras de celular fazem mal quando são feitas sempre, etc, etc.

Ela ainda pediu alguns dias, mas eu sempre dizia “joguinho, não” como quem expulsa um demônio (kkkk). Depois ela esqueceu. Hoje ela entende que celular da mamãe é para fazer as coisas da mamãe, que o PC e o Notebook que temos em casa é para mamãe fazer texto. Somente TV é liberado, no entanto, é claro, que eu sei tudo que ela assiste, pois o controle remoto é todo meu. TV aberta não faz parte da nossa vida e sempre que posso conversamos sobre os desenhos, brincando, dialogando, imitando os personagens.

Essa historinha é só para iniciar uma série de posts que vou fazer sobre o assunto, pois o tema rende à beça, minha amiga vai se sentir super prestigiada e eu vou ficar feliz por mais essa lista na minha vida.

E esse pequeno conto sobre a iniciação da Valentina no mundo dos celulares me trouxe a importante lição de que ela tem que ficar longe desses aparelhos por muito tempo. A memória do meu celular agradece.

Por hoje, é isso. Mas volto, no próximo post, para falar sobre os impactos da tecnologia na saúde das crianças e depois dando dicas de como lidar com o troço todo.

Bjs!

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Um conto materno de Natal

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Natal. Sim, preciso falar dele, pois já passei por algumas fases na minha vida, e tive que ressignificar essa data algumas vezes. Já gostei apaixonadamente, e já desgostei também, mas, nesse ano, ele me lembrou um preceito que eu inventei agora (haha) “vida não combina nada com perfeição” e vou explicar por quê. Continuar lendo

Não perca o vínculo com quem você ama

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Um dos meus maiores medos quando comecei a trabalhar regularmente fora foi perder o vínculo com a minha filha. Você, que me lê, pode estar achando que eu comecei esse post já pirando na maionese, afinal de contas, como vou perder um vínculo já construídão em quase três anos de muito amor, carinho, dedicação e pauleira?

Eu respondo, muito tranquilamente, que SIM, a gente perde o vínculo, se descuidar. Não importa que eu seja a mamãe dela, e que ela seja a minha filhinha. Se eu deixar de regar nossa plantinha do amor, ela morre. Essa era meu medo quando eu comecei a ver minha filha, basicamente, aos fins de semana. Que o tempão que eu passava no trabalho, no trânsito, correndo, correndo, correndo, me fizessem esquecer a verdade essencial da minha vida: CUIDAR BEM DO MEU AMOR, SEJA QUEM FOR (parafraseando Paralamas do Sucesso). Continuar lendo

Mães não são feitas de ferro

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Sim. Eu sei. Ando sumida. Mas não se desespere, não abandonei esse querido blog. Acontece que muita coisa tumultou minhas últimas semanas, uma delas é o motivo desse novo post. Vou explicar. Você vai entender. E vamos fazer as pazes. 

Todo mundo que acompanha esse blog sabe que minha filha começou na escolinha há poucos meses, e desde então – fora todas as coisas boas que esse novo momento está nos trazendo – tenho vivido dias intensos, graças as constantes gripes, resfriados, otites e estomatites que ela anda pegando. Todo mundo fala. Eu já tinha lido sobre. Mas só mesmo na vivência é que a gente percebe o osso duro de roer que é cuidar de uma criança doente. E eu, para completar a toada, sou uma mãe hipocondríaca. Qualquer febrinha DELA, já levo no hospital. Enfim, nesse meio tempo eu passei por mais uma coisa: adoeci. Sim, adoeci, como há muito não adoecia. E essa minha “queda” motivou esse post. Agora você entende por que dei uma sumida?  Continuar lendo

Seja presente na vida

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Crianças não entendem a noção de tempo. Eu sei, já disse isso aqui. Mas não é bem isso o que quero falar hoje. Venho pensando e tenho cada vez mais claro que nós, adultos, entendemos menos ainda o tempo, porque o relógio nos atropela, e o calendário anda tão rápido, que a gente mal pisca, e nossa vida já passou. Creio que entender o tempo – um conceito tão abstrato – é compreender que existe algo mais importante do que mensurar os itens “feitos” da nossa lista interminável de afazeres.

Esse algo essencial chama-se presença. Lugar onde a gente quase nunca visita. Estamos sempre no passado, remoendo nossas dores, repisando nossos erros, revivendo as angústias. Quando não estamos “no que já foi”, vamos parar “no que ainda não chegou”, e aí o sofrimento é o medo do futuro, de não nos prepararmos o suficiente para esse lugar tão legal, que nunca vai chegar. Sim, você já parou para pensar que o futuro nunca chega? Que quando ele chega, e vira presente, a gente descarta, e vai viver, novamente, das nossas abstrações? Ora, por que raios eu resolvi falar disso hoje? Para enfatizar a importância da nossa PRESENÇA na vida dos nossos filhos. Continuar lendo

Da cobrança para sermos mães perfeitas

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Embora todo mundo tenha aquele discurso pronto de que não existe ser humano perfeito, de que erros são desvios normais na vida, de que o perdão e o pedido de desculpas estão aí para isso mesmo; a maioria das pessoas – talvez todas eu diria – não aceita em absoluto as imperfeições alheias. No entanto, até tolera um ou outro defeito, em nome da boa convivência, do sentimento que tem pela pessoa, ou por empatia. Porém, se esse ser humano errante aí for mãe, esquece. MÃE NÃO PODE ERRAR!

E é daí que nasce aquela cobrança gigante que existe no mundo da maternidade sobre ser uma mãe perfeita, e o quanto isso é utópico, inalcançável e uma viagem total. Pois bem, o post de hoje é sobre duas coisas: sobre essa questão da cobrança às mães para serem perfeitas e também sobre como a maternidade pode ser uma forma de nos tornarmos pessoas melhores. Vem comigo, que não é nenhum bicho de sete cabeças. Continuar lendo

Minha singela homenagem para a(s) mãe(s)

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Você só entende a dimensão da palavra mãe em duas situações: quando você se torna uma ou quando perde a sua. Eu passei pelas duas coisas, então hoje posso dizer que conheço o significado dessa palavra e o universo escondido nessas três letras juntas: mãe. Ela passa pela nossa vida, sempre de modo impactante, e pode permanecer nela por anos, décadas, sem a gente nunca chegar a perceber o tanto de vida que ela nos doou todos os dias da existência dela.

Ela está lá quando você mais precisa, e também quando nem quer falar com ela. Atire a primeira pedra quem nunca chamou a mãe de chata, disse que não queria conversa, bateu a porta do quarto. Quando crianças – bem crianças mesmo – mal a gente lembra, mas ela era todo nosso mundo. Não importa se tínhamos pai, irmãos, avós, tias. Ninguém nem de longe se comparava ao que a presença da nossa mãe significava. Continuar lendo

Por que é tão difícil ser mãe solteira?

Mae solteira

Vou falar uma frase no passado: eu nunca me imaginei na situação que estou hoje. Na minha cabeça adolescente (que durou até uns vinte e oito anos..haha), eu teria primeiro uma carreira de sucesso, depois conheceria o amor da minha vida e depois teria filhos, nessa ordem. Não acreditava que uma mudança na posição dos acontecimentos poderia me fazer feliz, porque não era meu ideal de vida.

Acontece que hoje sou uma mãe solo, estou longe de ter uma carreira de sucesso e casamento é algo que nem passa pela minha cabeça mais. Apesar de parecer estranho, olha só, eu sou bem feliz, TODOS OS DIAS. Sinto-me em paz com minha vida e com quem eu sou. Sinto-me amada e amo as pessoas. Valorizo sentimentos, não coisas. Consigo todo dia me sentir como na infância, pois tem uma pequenininha correndo pela casa e me ensinando. Esse é o meu cenário, mas não estou dizendo que as coisas são fáceis. Na verdade, as coisas são bem difíceis e vou explicar por quê.
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Mães gostam de ficar sozinhas

Maes-sozinhas

Dia desses estava assistindo um dos episódios do seriado “Todo mundo odeia o Chris“, na quinquagésima nona vez que a TV Record exibiu. Nele, o Chris falava que a mãe dele adorava ficar sozinha em casa. Daí cortava para a cena da Rochelle, a melhor personagem da série, largadona no sofá comendo ovo (???), assistindo TV e papeando com as amigas, na maior cara-de-felicidade. Daí refleti na hora que aquela cena poderia servir para praticamente todas as mães desse mundo. Sabe por quê?

MÃES ADORAM FICAR SOZINHAS! Continuar lendo

A imaginação das crianças (e como isso pode mudar a visão de vida dos adultos)

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Não sei bem em que momento isso acontece, mas há uma fase em que a vida, a minha, a sua, a de todo mundo, vai ficando meio assim, sem imaginação. Parece que tudo é chato, tudo é obrigação, tudo é compromisso. Viramos adultos e toda aquela diversão que imaginamos existir na maturidade vira coisa da nossa cabeça, utopia de uma mente que um dia foi fértil. E a gente só percebe que ficou chato quando observa uma criança: ah, como elas são felizes, criativas, descoladas, espertas, simples.  Continuar lendo