O que é família para você?

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Responda rápido a pergunta que está no título. Talvez olhando para o lado, para a própria família, você responda que são aqueles que moram na mesma casa que a gente e compartilham o mesmo “sangue”. Sua definição – se foi essa – não está de todo errada, mas saiba que ela é não dá conta de responder a pergunta que fiz. Não sei se você percebeu (eu demorei um pouco, devo admitir) que o conceito de família está mudando. Há quem diga que daqui uns anos essa ideia de que família é pai, mãe e filhos vai ser apenas mais uma opção, dentre tantas outras. Não sou eu que estou dizendo, são os estudiosos no assunto. Tem um material bem legal nesse link (mas não me abandone ainda, termina de ler esse post).

Pois então, eu demorei a perceber que tinha em mim um conceito de família estereotipado. Não que seja errado, pela amor de Deus, ter pai, mãe, irmão, cachorro, gato, etc. O que estou tentando dizer é que eu cresci em um ambiente com pai, mãe e irmãos e, por muito tempo, achei que família tinha que ser assim. Acontece que, conforme veio a maturidade, e principalmente, depois do nascimento da Valentina (sempre depois do nascimento da Valentina. Ah! Como muda a gente esse negócio); eu passei a enxergar que família tem muito mais a ver com o amor e cuidado compartilhados entre seres do que com uma estrutura hierárquica.

Eu olho para mim e para a minha filha e vejo uma família. Eu olho para mim, para meus irmãos e para meu pai e vejo uma família. Eu olho meu irmão mais velho e sua esposa e vejo uma família. Eu olho meu irmão mais novo, sua esposa e o filho dela, e vejo uma família. Pois em todas essas relações que citei há gente com muita vontade de viver juntas e cheias de amor umas pelas outras.

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Pessoas caminhando juntas. Também é uma boa definição

Nunca é fácil para a gente ir contra os padrões que a inteligência coletiva impõe. Sussurraram por séculos a ideia de que família tradicional é pai, mãe e filhos, e nos vimos frustrados quando não atendemos a esses requisitos.

Eu, evidentemente, sofro preconceitos por ser uma mãe solo. Têm sempre aqueles que sentem certa pena por que “olha só! Tem que fazer tudo sozinha” ou então que rotulam de outras formas tantas, daquela forma estigmatizadora que falei nesse outro post. Acontece que a Valentina está cercada de amor e cuidado. E isso é ter família. Eu realmente tenho que fazer as funções de pai e mãe, mas, na vida, a gente acostuma com tudo. E eu, muitas vezes, até prefiro, por que minha palavra é lei, pronto e acabou. Não tenho que ficar debatendo com o pai dela se devo fazer assim ou assado. Ele a visita com frequência, me ajuda financeiramente, mas é só. Ele é um pai-visita, e sempre será. E eu estou em paz, por que essa escolha não foi minha.

Se você tem em si que família tradicional é o que há, saiba que, no Brasil, por exemplo, só 54,9% das famílias são compostas por esse formato. Os outros 45,1% são de diferentes composições familiares, segundo o último Censo do IBGE (2010). Não é preciso ir longe, ficar procurando estatísticas, basta olhar em volta: as pessoas estão casando menos, muitas vezes preferindo morar juntas, em união estável (o que a meu ver é casamento igual), as taxas de divórcio só crescem  (também quem guenta esse troço de matrimônio…brinks). Além disso,  é cada vez mais comum mães solteiras ou pais solteiros. Há também os casais homoafetivos, que estão adotando e gerando (no caso das mulheres) filhos. Existem os casais sem filhos, aqueles que enfrentam uma viuvez e mesmo as “grandes” famílias, na qual mãe, vô, tio, primo, etc, etc mora tudo no mesmo lugar.

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Monte uma família! Valendo…

Tudo isso aí relatado acima é família, se houver amor, cuidado, afinidade. Já disse, e repito, uma criança não precisa de uma padrão nível hard de qualidade de vida, ela precisa de afeto (claro que para viver nesse mundo precisa ter dinheiro. Não estou dizendo o contrário, só que a parte financeira acaba se ajustado. Já uma criança sem amor nunca se recuperará totalmente).

Essa discussão sobre o conceito de família é tão importante que até mesmo o Houaiss (o dicionário) fez um novo verbete para ressignificar o termo. Segundo esse querido, família é um “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantém entre si uma relação solidária”.

Pois então! O mundo é bem dinâmico, certo? Até mesmo essas questões culturais, sociais, etc, vão mudando com o tempo. Que bom! Se você faz parte de um núcleo familiar “não tradicional” não se sinta mal nem por um segundo e defenda seu lar com todo coração. Pensa que se você está recebendo e dando amor, você já tá bem no lucro, na minha sempre humilde opinião.

Ah, tem um material bem legal sobre o tema nesse link  da Carta Educação. Bjs e até o próximo post!

 

 

 

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