Precisamos falar sobre gravidez na adolescência

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Já sei. Você pode estar pensando:

— Lá vem ela com esse “precisamos conversar”!

Mas, não é bem assim. Por favor, seja mais tolerante. O chamado para a conversa é algo que pode ser bem interessante, esclarecedor, etc. Além disso, esse título é muito bom, e impacta, na medida certa. Enfim, precisamos conversar.

O post de hoje, como prometido no título ótimo, é sobre gravidez na adolescência. Porque, embora a taxa de gestações nessa fase tenha caído 17%, segundo dados do Ministério de Saúde, referente ao período de 2004 e 2015, ainda são 546,5 mil mães adolescentes, só em 2015, que foi quando a pesquisa foi feita. É um número bastante alto. E o assunto é bastante conflituoso, pois envolve muitos e muitos fatores.

No entanto, existe um ponto pacífico: meninas não deveriam ficar grávidas na adolescência, a menos que seja isso que elas queiram, o que – sabemos –  não é a realidade desse número enorme que citei há algumas linhas. Atualmente, a informação sobre métodos contraceptivos é bastante disseminada, bem como o acesso a eles. No entanto, a gravidez na adolescência não é somente uma conversa sobre o anticoncepcional que a menina não usou, mas sim sobre muitas outras coisas, que envolvem estrutura familiar, condição financeira, educação, autoestima e aceitação, e também a forma que o sexo é visto por cada uma delas. Tem mais coisas, mas esse muito já dá conta de mostrar que o problema é maior do que sonha a nossa vã filosofia.

Eu, evidentemente, não fui uma mãe adolescente. A Valentina nasceu quando eu tinha 28 anos. Ou seja, eu era very madura já, quase uma senhora (kkk. Brincadeira). No entanto, minha gravidez não foi planejada, e aconteceu em um cenário que não envolveu um casamento. O que quero dizer com isso? Eu não fui mãe adolescente, mas por ser mãe “solteira” acabo por entender um pouco do que passam as meninas que engravidam cedo.

Acredite: não ter a justificativa do “casamento” torna tudo mais difícil, inclusive para nós, que somos desde cedo culturalizadas para acreditar que nascemos para isso mesmo: casar e ter filhos. Demorou para eu desconstruir essa ideia na minha mente, hoje já tenho bastante clareza de que criança precisa de uma família que a trate com amor e respeito sempre. E família, como já disse aqui, não é somente um homem e uma mulher juntinhos. Família é gente dando e recebendo amor. Ponto.

Além disso, vivo na pele todos os dias as dificuldades de educar e cuidar de uma criança sozinha e imagino como deve ser difícil quando a mãe em questão ainda não tem a maturidade para lidar com algo tão sério quanto a maternidade.

Enfim, tenho algum embasamento para falar do tema. E me sinto à vontade para falar sobre isso. E queria chamar você, alma boa que lê este blog, a fazer duas reflexões comigo:

 

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Fala aí! Tenho todo tempo do mundo!

 

A gravidez na adolescência de modo não planejado é algo que deve ser prevenido, não por que ter filhos é algo negativo, muito pelo contrário; mas sim por que não há ainda maturidade emocional para lidar com a grandeza do negócio todo. Além disso, é muito comum que a menina acabe deixando os próprios sonhos para lá, muitas vezes até mesmo parando de estudar, de ter projetos pessoais porque engravidou. E essa parte é muito, mas muito triste. Pois fico imaginando – porque já fui menina – o quanto morre da gente quando desistimos de muitos dos nossos objetivos, acreditando que a partir dali “a vida acabou”. Aqui entram minhas duas reflexões: primeiro, a importância da prevenção, algo tão falado, mas que parece que não entra na mente de ninguém (né, não?), e também a necessidade real de amparar essas mães adolescentes, dando a elas condições para que elas exerçam a maternagem delas com dignidade e autonomia.

Primeiro: a prevenção. Quase todo mundo sabe e conhece pelo menos uns dois métodos contraceptivos, o preservativo e a pílula anticoncepcional talvez sejam os mais conhecidos. Quase todo mundo está careca de saber que tem que usar, etc, etc. No entanto, muita gente, mas muita gente mesmo, não usa. E não estou falando aqui somente de adolescentes, mas dos adultos mesmo, que podem até utilizar vez ou outra, fazendo uso do que os especialistas chamam de “uso imperfeito”, quando o método não é usado sempre, ou não é utilizado corretamente.

É evidente que adolescentes têm que conhecer e utilizar os métodos. Todo mundo sabe disso. Mas eu vou mais longe, e acho que esse é o grande segredo da prevenção: os jovens precisam de mais, eles precisam de educação sobre o que é o sexo de fato e o quanto a maturidade é necessária para lidar com esse ato lúdico pedagógico (como dizia um professor meu). O sexo exige responsabilidade e entendimento. Não é qualquer coisa, que deve ser feita de qualquer jeito, com qualquer pessoa. E esse papo não é só para adolescentes não, tem muito adultão que não tem um desenvolvimento neurológico/emocional para entender a complexidade desse troço todo.

Se os adolescentes forem educados para saber lidar com o sexo, talvez a prevenção seja mais efetiva. E digo mais (hora da polêmica).

Medo

 

Eu acredito que jovens, de, sei lá, 15, 16 anos, no geral, não têm maturidade nenhuma para fazer sexo. Pronto, falei! Não prego abstinência absoluta e irrestrita. Não é isso. Se feito com responsabilidade, ok. Se o jovem em questão é maduro o suficiente, não tem problema. A questão é sobre a grande massa que não tem maturidade coisa nenhuma. Esse é o ponto. Sexo é uma coisa linda, faz parte da vida, e justamente por isso deve ser encarado com a complexidade que ele merece. E os pais não devem achar que nunca falar sobre o tema vai evitar que os filhos façam. Tem que falar do assunto. Evidentemente, com bastante delicadeza, pois adolescente vai morrer de vergonha dos pais nessa hora. Enfim, me prolonguei. Se você acompanha esse blog, já sabe que sou prolixa, não reclama. Se essa é sua primeira vez aqui (Ui! Duplo sentido!), muito prazer, meu nome é Cíntia, a prolixa.

Continuando:

O segundo ponto da reflexão: as mães adolescentes precisam de amparo, minha gente! Depois que aconteceu, não tem sentido ficar viajando na maionese, incriminando a menina, praguejando, ou botando para fora de casa (nunca entendi esse tipo de comportamento totalmente anti-amor, mas tudo bem). O que elas precisam, depois que descobrem uma gravidez nessa fase, é de amparo para aguentar o tranco, as pedradas e dificuldades do depois. Sim, porque tem pedrada da sociedade. Olhar torto, e tudo mais. Tem também bastante dificuldade, de se encontrar como mãe, de cuidar, de educar outro ser, de ter que lidar, muitas vezes, com bastante palpite, quando não intromissão mesmo, dos familiares. Já que o comum é que a menina continue morando com eles depois.

Essa menina precisa ser abraçada, não cuspida. O mais importante é que ela tenha tranquilidade para lidar com a criança, com as dores e delícias de ser mãe, e etc. Muitas vezes, essa garota passa ainda por um abandono do pai da criança, e tem que ficar ouvindo que é culpa dela, que se envolveu com cafajeste (não é tão difícil encontrar esse exemplar masculino na sociedade, tendo em vista que eles são maioria…haha). O peso de todo negócio fica para ela, de criar, de sofrer preconceito o tempo todo, de ter que se justificar sobre por que não se protegeu melhor e tudo mais. No entanto, nada disso vai fazer o relógio voltar no tempo e desfazer o ato que gerou a gravidez.

Muitos podem me dizer agora – Ah, mas ela precisa entender essa coisa de consequência, porque foi irresponsável, e tralalá. Bom, eu só te digo que a “consequência” disso ela vai enfrentar a vida toda, e acho que já tá de bom tamanho.

 

bebe de colo

Oi, tudo bem! Meu nome é Bebê “Consequência” da Silva

 

Nenhuma mãe que ver a filha grávida na adolescência. De novo, não por causa da criança, que será linda e amada, na maioria dos casos, mas porque a menina vai ser obrigada a morrer para fazer nascer a mulher, a mãe. Não tem jeito. Não tem espaço na maternagem para a adolescência, a partir do momento que a menina descobre o positivo no teste de gravidez. E desse momento em diante tudo que importa é ampará-la. Apenas esse tudo. E amparar não é pegar no colo, e criar a criança para ela (viu, avós que teimam em fazer isso!), é dar o amor que ela precisa, construir uma rede de apoio para que ela seja a mãe, mas sem que precise desistir dos sonhos dela, da vida que tinha em mente antes de tudo acontecer.

Essas duas reflexões, a meu ver, são as mais importantes. E devem ser pautadas e fazer parte da nossa consciência e do diálogo com nossos filhos e filhas. Sim, filhos também. Por que gravidez é fruto de dois – homem e mulher – nunca se esqueça disso. O menino também tem obrigação de ser responsável, não é só a menina.

E esse assunto todo veio parar aqui nesse blog, porque tive acesso a uma campanha bem legal chamada “A Vida é feita de Escolhas“, que visa informar, por meio de uma linguagem jovem e uma forte presença digital, a respeito justamente disso, da informação sobre sexo, formas de prevenção, planejamento familiar, entre outras coisas. A campanha pretende levar tais informações por várias frentes, como episódios em vídeos com temas de interesse dessa faixa etária sobre o assunto, palestras em escolas, faculdades e empresas sobre sexualidade, tudo isso promovendo uma espécie de diálogo, para que o jovem se sinta à vontade e inserido, para que tenha liberdade de “querer saber”.

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E antes que pensem que estou sendo patrocinada para falar disso, digo que não ganhei nenhum vintém, e nem acredito nesse tipo de produção de conteúdo. Vocês podem ter certeza de que nunca verão post patrocinado por aqui, porque vai contra o que acredito e a forma como idealizei esse blog. Se lá na frente o “Mamãe me Cria” bombar e eu virar uma blogueira famosa e rica (kkkk), toda publicidade será muito clara e nunca se misturará com conteúdo. Essa campanha que estou mencionando está aqui porque pesquisei bastante a respeito e acreditei na ideia.

Dito isso, vou encerrando esse post longo, só reiterando da importância de cuidar dos jovens, que ainda são crianças, embora não queiram, com bastante amor, diálogo e compreensão. Para que eles passem para frente esse sentimento ótimo, quando formarem a família deles.

FONTES PESQUISADAS

http://www.brasil.gov.br/saude/2017/05/numero-de-adolescentes-gravidas-cai-17-no-brasil

http://hypescience.com/quais-sao-verdadeiras-chances-dos-metodos-contraceptivos-falharem/

http://avidaefeitadeescolhas.com.br/

 

 

 

 

 

 

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