Da cobrança para sermos mães perfeitas

Ser-mae-perfeita

Embora todo mundo tenha aquele discurso pronto de que não existe ser humano perfeito, de que erros são desvios normais na vida, de que o perdão e o pedido de desculpas estão aí para isso mesmo; a maioria das pessoas – talvez todas eu diria – não aceita em absoluto as imperfeições alheias. No entanto, até tolera um ou outro defeito, em nome da boa convivência, do sentimento que tem pela pessoa, ou por empatia. Porém, se esse ser humano errante aí for mãe, esquece. MÃE NÃO PODE ERRAR!

E é daí que nasce aquela cobrança gigante que existe no mundo da maternidade sobre ser uma mãe perfeita, e o quanto isso é utópico, inalcançável e uma viagem total. Pois bem, o post de hoje é sobre duas coisas: sobre essa questão da cobrança às mães para serem perfeitas e também sobre como a maternidade pode ser uma forma de nos tornarmos pessoas melhores. Vem comigo, que não é nenhum bicho de sete cabeças.

Já disse em várias ocasiões aqui que mãe é vista como um ser à parte, alguém que aguenta todos os trancos, que não tem necessidades próprias (pra quê?), que consegue fazer tudo, e não deve nunca reclamar. Junto com tudo isso tem essa outra coisa que é o subentendido nosso de cada dia de que, se você não for perfeita, você não é uma boa mãe. A maternidade, aparentemente, tira da gente essa licença poética de poder ser somente um ser humano, às vezes. Acontece que essa cobrança pode pilhar a coitada da mãe de uma forma, que ela vai estar sempre achando que está fazendo tudo errado, mesmo que esteja fazendo o melhor que ela pode fazer pelo filho.

Evidentemente, ninguém diz na sua cara que você não pode errar, que não pode nunca perder a calma, que não deve jamais pensar em si mesma. Mas está tudo lá nas entrelinhas, nos montes de palpites, críticas e “conselhos” que recebemos desde o dia que nos tornamos mães. E quem vive isso sabe o quanto é cansativo não ter nem mesmo a permissão para errar, como todo mundo.

Evidentemente, há erros e erros. Não estou falando aqui de bater na criança, ou de deixá-la dormir ao relento. Nada disso é tolerável e eu abomino agressões, humilhações e etc contra os pequenos sempre. O que estou falando é daquelas coisas bobas, pequenas, de ficar chateada com a sobrecarga de trabalho e descontar na criança, de esquecer de esfriar a comida antes do filho comer, e o coitado queimar a língua, essas coisas.

Estou falando daquela coisa normal, que vai acontecer, não tem jeito, do filho ter acesso, não somente ao lado arco-íris e nuvens de algodão da sua mamãe; mas também ao lado negro da força.

MAE-IMPERFEITA

Alguém me chamou??

 

Não estou falando que é certo ser tal qual o Darth Vader, mas sim mencionando aquela parte chata que ninguém gosta de admitir que tem: ou você já viu alguém assumir que é, sei lá, invejoso, avaro, mentiroso, etc, etc? No entanto, os seres humanos também têm versões bem ruins de si mesmos, TODOS NÓS. E a criança vai conhecer esse lado, cedo ou tarde. Acontece que mães não podem, não devem ter defeitos. Porém – mãe que me lê agora – deixa eu te falar uma coisa. Ou melhor, duas.

Não acredite, jamais, nessa conversa fiada de que você tem que ser perfeita, porque você vai se frustrar e nunca vai alcançar isso. Alguém algum dia foi perfeito com você? Não, né? Porque não dá! Todo mundo erra, todo mundo manda umas bolas foras de vez em quando, todo mundo tem defeitos, todo mundo, todo mundo, todo mundo. E você, ao contrário do que dizia sua mãe (kkkk), nesse sentido, é igual TODO MUNDO. Por isso, se cobre menos para ser perfeita, e entenda que seu filho vai te amar igual, mesmo você cometendo erros e tendo falhas.

Concentre-se – essa é a segunda coisa que quero falar – em tentar ser uma pessoa melhor a cada dia, porque se tem algo que a maternidade inegavelmente traz é essa oportunidade de sermos melhores como seres humanos. A paternidade também  traz isso, mas os homens, em grande parte, fazem de conta que não é com eles.

Quando nos tornamos mães, passamos a enxergar mais o outro, e desenvolvemos uma empatia muito maior com relação ao mundo, melhora muito nossa capacidade de sentir compaixão pelos outros, de se doar mais, de não querer barganhar sentimentos, de querer conquistar, lutar mais, etc. Tudo isso, evidentemente, só acontece se a gente deixa. Prometo falar sobre como a maternidade pode nos transformar em pessoas melhores em outro post, mas dei uma canjinha agora para fechar esse texto simples, mas de coração, a respeito de nós, mães (im) perfeitas.

Bjs,

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