Mãe também é mulher

Mae-mulher

Ah, como mulher sofre! Sim. Sofre. O tempo todo. E por todos os motivos. Não estou falando metaforicamente, estou sendo prática. Desde o momento em que o médico diz, lá no começo, ainda no ultrassom: “É uma menina”, uma vida de desigualdades, dificuldades e TPM se abre em flor para aquele pequeno ser. Você pode estar dizendo:

— Ah, mas homem também sofre! Para com essa história!

E eu respondo:

— Primeiramente, este blog é sobre mães e você, que disse isso, provavelmente é homem, então nem vem, você nem deveria estar aqui, lindo (kkk).

Brincadeira. Homens são bem-vindos.

Nem tanto.

Não tem como negar que mulheres são tratadas de modo diferente e têm uma série de percalços que os homens nem de longe enfrentam. Menstruação? Parto? Salto alto? Cobranças? Julgamentos pelo comprimento da roupa? Salários menores só por causa do gênero? Sim. A lista é longa. E nem é disso que quero falar. Só comecei dizendo isso para contextualizar o post. Que é sobre mulheres. Ou melhor, mulheres que se tornam mães. Ou melhor, mulheres que se tornam mães e parecem que perdem a condição de mulheres.

Enfim, deu para entender. Agora sim, chego ao começo (rs).

Depois que me tornei mãe, percebi que a gente, depois da maternidade, passa a ser vista, pela maioria das pessoas como um ser alado, nem macho, nem fêmea, meio super heroína, metade mãe e outra metade também. Perdemos, principalmente, no começo, todo o glamour que só as mulheres conseguem ter (a quem interessar possa, sim sou feminista). Aquela coisa de sair parecendo uma boneca, de se sentir bela, admirada, etc. Depois da maternidade, nada disso acontece, porque você só sai com bebê a tiracolo, com a roupa toda mal ajambrada, com o penteado mais prático que dá para fazer em 5 minutos, com a cara lavada, quiçá com algumas olheiras e uma expressão de quem só queria dormir mais um pouco.

Antes que me acusem de estar estereotipando as mães, quero explicar que existem as exceções, mas a regra é essa aí. Evidentemente, estou falando de mães com crianças pequenas. Depois que elas crescem mais, a coisa começa a melhorar. Mas esse olhar alheio, depois que sabe que você é uma mãe, não muda muito não. Mães parecem que deixam de ser mulheres, quando cruzam a porta da maternidade com o bebê no colo. E esse resgate da feminilidade é uma coisa bem demorada, mas necessária. Na verdade, é essencial.

Ser mulher é coisa difícil? Sim, todas sabem disso (e alguns homens inteligentes também). No entanto, ser mulher é bom demais. Não me arrependo e não desmereço jamais minha condição. Justamente por isso venho por meio deste blog chamar as minhas colegas de maternagem a não deixarem morrer a mulher que existe dentro de cada uma delas. É isso.

 

Mulher-mae

Tá muito lindo e maravilhoso esse post!

 

A maternidade faz a gente se perder em si mesma? Verdade. No começo, principalmente, tudo o que a gente quer, o chamado biológico, ancestral e divino que pulsa em nós, é cuidar, amar os nossos filhos, e protegê-los, o tanto quanto for possível. Nos colocamos em segundo, muitas vezes terceiro ou quarto lugar, entre as prioridades. O bebê vem primeiro, como deve ser. No entanto, essa voracidade maternal acaba tirando da gente esse cuidado com nós mesmas, com nosso lado feminino. Daí, entra em cena essa falta de atenção interna, o olhar alheio e a criança, propriamente dita, que exige, exige, exige o tempo todo da gente. 

Evidentemente, em uma sociedade igualitária, mães dividiriam a carga pesada de ter que criar uma criança com os respectivos pais. No entanto, todo mundo sabe que não é isso que acontece na maioria dos casos. E não estou falando apenas das mães solteiras, como eu, estou falando também das mulheres casadas, que não costumam ter ajuda dos tais esposos, que – me corrijam se eu estiver errada – tendem a só cobrar, cobrar e reclamar da excessiva atenção que a mãe dá para a criança. Enfim, não estamos em uma sociedade igualitária ainda, mas quem sabe um dia a gente chegue lá. Mas enquanto imperar o machismo enraizado culturalmente (que parece praga, e não sai nem com o pior dos agrotóxicos) tudo continuará assim.

 

Mae-mulher

Fazendo belas tiaras do machismo que não desapega da sociedade nem com reza brava

 

Essa coisa do machismo é coisa para outro post. Só divaguei um pouco.

O de hoje é mais para avisar que dentro de todas as mães existem mulheres: únicas, dotadas de desejos, anseios, dor e amor. E nós devemos ser tratadas de modo integral, e não como uma parte. Não somos só mães. Somos pessoas. Somos MULHERES. E você, mãe, que se identificou com essa questão de não se sentir mais tão mulher depois da maternidade, deve enxergar tudo que estou dizendo aqui apenas como um toque de leve no ombro, uma mão amiga para te lembrar que você precisa se priorizar também. Caso contrário, não vai ser uma pessoa feliz, e pessoas que não são felizes não conseguem fazer os outros felizes. Inclusive, os filhos.

Por isso, por exemplo, nunca deixe de se cuidar, de fazer o que gosta, de refletir sobre o que você quer, seus objetivos. Nunca permita que ninguém te diminua por você ser mãe, por você ser mulher. Se conseguir, delegue tarefas domésticas, divida os cuidados e responsabilidades com o dito cujo pai da criança (ou outra pessoa de confiança, caso não tenha como recorrer ao pai). Não deixe sua vida amorosa de lado. Faça o possível para conseguir sempre ouvir a própria voz. Faça o possível para ser ouvida. Nunca se esqueça de que você também importa.

Sei que soa como auto-ajuda, mas tudo bem. Eu ainda estou em resgate da minha parte mulher, e sei que isso é um processo longo, mas tem pote de ouro no fim do arco-íris, que sei. Chama-se paz interior e todo mundo deveria almejar isso.

Enfim, mulheres mães do mundo, uni-vos (de propósito resgatei o querido Karl Marx, por que tô p… da vida com os últimos acontecimentos políticos…rs)!

Bjs. Até o próximo post!

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2 comentários sobre “Mãe também é mulher

  1. Isabela disse:

    Oi Cíntia! Obrigada por além de cuidar da sua filha cuidar da gente (mães)q fica descabelada e nem tem tempo para se cuidar… Mas graças à Deus temos sempre uma recompensa… Minha filha já com três anos e meio não dá mais aquele trabalhão de antes e agora sim consigo me cuidar “um pouco “…. Sempre q posso leio e releio seus posts… Daí me veio à cabeça uma sugestão… Por q vc não escreve um livro? Um livro de cabeceira pra mãe q pode ler um post curto em cinco minutos… se for capítulo a gente se perde na continuação… Bom, é só uma sugestão… Se vc escrever certeza vou comprar e pedir sua assinatura… Rsrs

    Curtido por 1 pessoa

    • Cíntia Ferreira disse:

      Olha, só! Você não tem ideia, mas falou de um sonho que eu tenho desde a adolescência. Na verdade, como você deve saber, todo jornalista acha que é escritor…rs, ou quase todos. Eu pretendo sim, um dia, escrever algo sobre maternidade, só não sei exatamente o que quero escrever ainda (são tantas opções). Mas fico feliz demais com sua sugestão, só me impulsiona a continuar acreditando nesse sonho. Um beijão.

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