A importância do colo para os bebês

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Sim, vivo falando disso, mas percebi que nunca tinha feito um post somente sobre o assunto. E ele merece. Ô se merece! Ah, como eu ouvia críticas por “dar colo demais para minha filha”. Sim, ela vivia no colo, quando era recém nascida, principalmente. O TEMPO TODO. Eu aprendi a fazer as coisas com uma mão só não somente para desenvolver essa sábia habilidade motora, mas sim por necessidade. A Valentina fazia tudo junto comigo, no meu colo. Dormia muito no meu colo, tanto que o berço quase chorava de tristeza por que o bebê nunca chegava nem perto dele.

Eu, no período de grávida, já lia coisas a respeito, mas como sempre digo aqui, gestantes não são, necessariamente, mães, e elas se preocupam muito mais em preparar o ambiente para o bebê, do que com o bebê, digamos assim. Eu pesquisava mais enxoval, dor do parto, essas coisas. No entanto, intuitivamente, senti, desde o primeiro momento da maternidade, que o colo só podia fazer bem para a Valentina. E um dos posts mais legais que li na época “Lugar de recém nascido é no peito” me fez ter certeza de que eu estava no caminho certo.

Por isso, tenho propriedade para falar de colo. Por ser uma mãe super hiper mega adepta do colo, e por ter lido horrores sobre o tema. E também por que peguei todas as abobrinhas que ouvi sobre “vício de colo”, bati no liquidificador e joguei fora, lindamente. E recomendo que você, mãe, faça o mesmo, se estiver enfrentando críticas por dar colo demais para seu pequeno. Você vai entender agorinha mesmo por quê.

 

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Explica o óbvio, vai…

 

Olhe um recém nascido e me diga: o que você vê? Certamente alguém totalmente dependente de cuidados, que não fala, nem anda, não enxerga direito, não se alimenta sozinho e que morre, se ninguém cuidar dele. Pois bem. Esse recém nascido ainda enfrenta uma outra coisa: acabou de sair de um lugar chamado útero, que por sinal era quentinho, escuro, confortável, familiar. Lá ele recebia alimento o tempo todo, sem precisar pedir. No útero ele desconhecia sensações como fome, frio e dor e reconhecia sons, como a voz da mãe, as músicas que ela gostava de escutar e por aí vai.

Daí esse bebê, que vivia em plenitude, decide que é hora de nascer e nasce. Só que o mundão cá fora é um pouco (só um pouco?) mais hostil. Aqui ele tem que lidar com uma gama de sensações e sentimentos que até então não conhecia. Vai demorar um tempão, por exemplo, para esse neném perceber que ele e a mãe não são a mesma pessoa.

Frente a tudo isso, seria interessante, no mínimo, que essa transição da vida intra uterina para a vida mundana fosse feita com certa gentileza pelos cuidadores. Tentando, por exemplo, reproduzir, pelo menos em partes, o conforto e segurança que o bebê vivenciou no útero. Tudo isso tendo em vista também que o ser humano é um dos seres que mais demoram para conquistar a independência, que nossas cabeças grandes continuam amadurecendo mesmo depois do nascimento, pois, do contrário, o cérebro ficaria enorme no útero e explodiria a coitada da mãe.

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Já é difícil sair assim, meus caros e caras!

 

Essa transição gentil, reconhecendo que o bebê precisa de mais tempo para se adaptar ao mundo faz parte do que os estudiosos chamam de teoria da Exterogestação. Ela foi formulada pelo antropólogo Ashley Montagu e popularizada pelo pediatra Harvey Karp. E essa teoria, por exemplo, defende amamentação em livre demanda, uso de slings como apoio para carregar os bebês com mais conforto, utilização de massagens, como a Shantalla, reprodução de sons do útero, entre outras. 

E colo….Muito colo. Por que o colo da mãe, principalmente, reproduz esse “lar” que o neném estava acostumado no útero. É o cheiro conhecido, é o som do coração, a respiração, a voz. Não é à toa que bebês se acalmam no colo, é como um retorno para um lugar que eles conheciam e amavam. O colo dá a segurança que o bebê precisa, o conforto, o aconchego. Fora que o toque, o contato, só fortalece o vínculo, aproximando ainda mais mãe e filho.

O poder mágico do colo vai além do equilíbrio e desenvolvimento emocional. O colo é bom biologicamente: ele regula a temperatura corporal, o ritmo do metabolismo, os níveis hormonais, o ritmo cardíaco, a respiração, o sistema imunológico (por meio da liberação da ocitocina, um hormônio reconhecidamente anti-estresse) e os níveis de excitação. Crianças que ficam muito no colo, quando são recém nascidas, sofrem menos com cólicas, como bem disse o amado pediatra do meu coração, Carlos González. Falo sobre essa questão da cólica com propriedade também: a Valentina NUNCA teve cólica, e eu credito isso ao fato de que dei colo, colo, colo, sem moderação.

Existe ainda uma explicação bastante interessante sobre a importância do colo para os bebês. É o conceito de Continuum, que ja citei aqui, que versa a respeito de um estudo feito pela antropóloga americana Jean Liedloff sobre a tribo venezuela dos Yequana, fazendo uma comparação entre o nosso conhecido modo de lidar com os bebês e a forma como essa tribo vivencia isso.

Ora, você pode estar perguntando, o que essa tribo tem a ver com colo?  E eu respondo, TUDO. Segundo a estudiosa, os bebês da tribo Yequana vivem o tempo todo perto dos seus cuidadores, no colo, e não de modo passivo, eles vão trabalhar com os cuidadores, participam das festas com os cuidadores, e por aí vai. O que a antropóloga notou é que os nenéns da tribo deles são extremamente calmos, relaxados, e, depois, quando se transformam em crianças serelepes, não adotam posturas mimadas, respeitam os adultos e ajudam muito nas tarefas executadas. É o contrário do que prega aquela sua parente preconceituosa que acha que o colo vai estragar seu bebê. Pois bem, manda ela ler o conceito de Continuum e não encher o saco (brinks…mas se quiser falar isso, tem meu apoio).

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Esse estudo é muito legal e explica por que manter as crianças ao nosso lado, principalmente quando bebês, pode ser algo tão ótimo para elas. Ainda segundo a autora, os nenéns precisam descarregar a energia acumulada e o contato tão próximo com os cuidadores permite que eles façam essa liberação energética. É diferente, por exemplo, do bebê que passa o dia todo no berço e no carrinho, olhando para o teto, sem ver o mundo, de verdade. Não é à toa que bebês odeiam tanto esses acessórios. Eles querem e pedem sempre colo. Por que precisam! É instintivo. O bebê se molda ao nosso colo, parece que foi feito para ficar lá sempre. E é isso mesmo. Até o momento em que eles crescem, aprendem a andar e aí tudo muda.

Como bem diz o Nelson Rodrigues: “Ninguém enxerga o óbvio”. É tão simples, gente!. Tentam a todo modo sufocar nossos chamados instintivos, dizendo que não pode, não deve, está errado pegar o bebê no colo, mas nosso coração grita pedindo, “Pelo amor de Deus, pega essa criança no colo” e a gente fica tentando calar. Não faça isso! Não cale seu coração materno e sábio, e dê muito colo para seu pequeno. Se nada disso te convenceu, feche os olhos, naquele momento que o neném se esgoela, e pensa no que você acha que é melhor fazer. Cada célula do seu corpo vai gritar “PEGA NO COLO”. Então, faça isso e vai ser feliz sentindo aquele cheiro gostoso de bebê. Tá ok?

 

 

FONTES PESQUISADAS

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI21413-15046,00.html

http://bsbslings.blogspot.com.br/p/artigos.html

https://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/o-conceito-do-continuum-a-import%C3%A2ncia-da-fase-do-colo/223480591009691/

http://claudia.abril.com.br/sua-vida/excesso-de-colo-faz-mal-ao-bebe/

http://seasmaessoubessem.com.br/2015/11/23/lugar-de-bebe-e-no-colo/

http://revistacrescer.globo.com/Bebes/Cuidados-com-o-recem-nascido/noticia/2017/01/exterogestacao-gravidez-pode-durar-mais-de-9-meses.html

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