Mães solteiras não merecem ser amadas?

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Eu juro que ia escrever de outra coisa, mas vi umas notícias aí no maravilhoso mundo da internet, e meus dedinhos coçaram de vontade de falar disso. É um assunto bem delicado, que eu sempre preferi evitar (você vai entender por quê). Mas é uma das missões desse blog e lá vamos nós falar (again) de nós, mães “solteiras”. Ou melhor, de como é difícil se relacionar amorosamente, depois que se tem um filho.

Primeiro, as explicações sobre por que não me sinto confortável com o tema: eu realmente, apesar de solteira, não estou absolutamente querendo saber de nenhum tipo de relacionamento amoroso, nem em um futuro próximo, nem distante (“O” trauma). Estou bem feliz sozinha e pretendo continuar assim por bastante tempo. Nunca senti necessidade de terceirizar minha vontade de viver. Sempre gostei de ficar sozinha, então para mim nunca teve problema. Além dessa questão, eu também nunca fui de procurar nada, amorosamente falando. Não tenho iniciativa para essas coisas e nem saio caçando sarna para se coçar alguém para amar. Acredito mesmo que uma pessoa e outra se esbarram um dia, assim como quem não quer nada, e daí pode ou não nascer uma história de amor.

Pois bem, por todas essas questões, não me sinto muito à vontade para falar sobre relacionamentos amorosos pós-maternidade, mas falarei, porque sou uma mãe criando uma criança sozinha, e sei que as pessoas na mesma condição que eu enfrentam uma barra para serem “aceitas” por um novo amor.

O que vi e me estimulou a falar sobre isso foi uma notícia sobre um experimento aí que uma pessoa aí fez em uma rede social: ao mostrar que era mãe e solteira, ela recebeu uma enxurrada de críticas dos “machos” que conversaram com ela online. Pois bem, eu tenho sérias reservas a “experimentos” envolvendo uma rede social conhecida por ser depósito de gente bocó. Certamente, há meia dúzia de gatos pingados que podem ser até boas pessoas, mas imensa maioria deles NÃO É HOMEM DE VERDADE. Ponto.

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Esse foguinho aqui nada tem a ver com o símbolo da dita cuja rede social que mencionei

Por isso acho que se a mulher está querendo um relacionamento amoroso saudável, com alguém bacana, essa tal dessa rede social não é o melhor lugar para isso. Simplesmente por que ela está com o anzol lá no mar de babacas e é só isso que ela vai pescar. A quem interessar possa, nunca entrei nessa rede, mas conheço inúmeras histórias sobre ela e a próprio sentido da existência da dita cuja já me fazem torcer o nariz. Mas prossigo, não é sobre essa rede social que quero falar.

O que acontece com as mulheres solteiras, que têm filhos, e querem encontrar um parceiro para se relacionar é que elas são fuziladas com todo tipo de preconceito, pensamentos totalmente deturpados que só minam a autoestima de cada uma delas e as fazem sentirem que nunca vão encontrar ninguém legal.

Os dois preconceitos  mais comuns são:

— Ah, essa daí está procurando um pai para o filho dela. Eu não! Saí pra lá. Quem mandou se relacionar com cafajeste?

Diga-me, você que me lê agora, se já ouviu algum dia alguém falando esse tipo de coisa perto de você (ou mesmo para você)? Sim, os “machos” em questão acham que toda mãe solteira está apenas querendo um cara para ser pai do filho dela. Acontece, camarada, que elas não estão, pelo simples fato de que o filho dela já tem pai. Não importa se o cara é um traste, se aparece uma vez por ano, se não ajuda nem financeiramente, ainda assim ele é o pai da criança. E isso nunca vai mudar. A criança vai saber sim quem é o pai e é ela que vai decidir como lidará com essa história, que é dela, e de mais ninguém. Com exceção daqueles casos, nos quais o homem realmente está com a mãe desde que o filho dela é um bebezinho, na imensa maioria das vezes essa criança vai ter uma história com o pai dela, e pronto.

É um preconceito sem sentido, por que predispõe que a educação de uma criança sempre vai depender de um pai e uma  mãe, quando a gente sabe que é muito comum que sobre para a mulher essa tarefa, inclusive, nos casos em que a mulher é casada. Quem não conhece, ou vivenciou, um pai relapso e ausente morando na mesma casa? Pois então. Por todas essas questões achar que ela só vai querer se envolver com alguém para conseguir um substituto paterno é não entender nada, nem de mulher, nem de criança.

Além desse pensamento preconceituoso tem outro. Lá vai:

— Ela é uma mulher fácil. Boa coisa não é. Virou mãe solteira por quê? Não serve para relacionamento sério.

Sim. Eu sei. Dói demais ouvir tamanho disparate, mas, infelizmente, o mundo está lotado de babacas.

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Não fala assim com a gente, tá?

E eles pensam exatamente assim. Não só os homens, tem muita mulher preconceituosa também. Gente que acha que filho só pode ser consequência de uma noite selvagem com um desconhecido. Que filho não nasce de relacionamento sério, de casamentos desfeitos, de histórias com finais infelizes. Digo isso por mim e digo isso por muitas outras mulheres mães sozinhas que conheço. Relacionamentos não dão certo desde que o mundo é mundo, e acontece com todas as pessoas. Uma gravidez inesperada também não é privilégio das mães “solteiras” da vida. Está cheio de casal agraciado com o positivo no teste de gravidez, que decide, só depois, juntar as escovas de dente e entrar em um casamento.

Porém uma gravidez não implica um casamento forçado só para mostrar para a sociedade. Um casamento engloba uma série de coisas, além do amor, como companheirismo, comprometimento, MUITA vontade de ficar junto, amadurecimento, etc. Nem toda relação que culmina em uma gravidez tem todos esses elementos, e tudo bem se as duas pessoas não quiserem ter uma vida em comum. Ninguém é obrigado a ficar junto, nem mesmo após o nascimento de um filho. Nem todo mundo curte essa ideia de unidos até que a morte os separe. Cada um sabe o que é melhor para si. Além disso, há uma infinidade de situações de vida que culminam em uma maternidade solo, não tente reduzir alguém a meia dúzia de preconceitos, ok? E por último: chega, né? Dessa história de mulher para casar ou não, a mulher para casar é a que se ama. Ponto.

Se você é mãe “solteira” e está lendo esse post agora, tenho um recado para você: não deixe nunca que te digam que você não tem valor ou coisa parecida só pelo fato de você criar seu filho sozinha. Muito pelo contrário, provavelmente, você corta um dobrado para dar conta de tudo e enfrenta uma barra todos os dias, como eu enfrento. Sei bem como é. Infelizmente, o carrossel de preconceitos não para, e tem gente que prefere colocar uma venda nos olhos a enxergar pelo olhar do outro. Nem perca seu tempo com essas pessoas. A opinião delas não deve jamais interessar e nem ser levada em conta. A única opinião que deve importar é das pessoas que você ama, que gostam de você de verdade. E a sua. Sempre.

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Jogo aqui as opiniões alheias que não importam

Fique tranquila, porque pessoas certas aparecem na nossa vida no momento certo. Não pire com essa coisa de que nunca vai encontrar alguém que te aceite, pois isso só vai acontecer se você não se aceitar, não aceitar sua história. Tem gente babaca no mundo? Tem aos montes. Mas tem gente legal também. Que vai querer te conhecer pelo que você é, não pelos preconceitos que disseminam por aí. Na realidade ser mãe “solteira” acaba sendo uma forma de peneira para separar o joio do trigo. Quem for joio, realmente não vai se importar em te magoar, mas você quer joio na sua vida? Eu não. O trigo, lindo e amarelinho, vai entender você e te amar como você é, por que isso faz parte do amor.

Porém, tem mais uma coisinha: Não sou nenhuma fada madrinha, clarividente, etc, não estou aqui adivinhando um futuro cheio de arco-íris na vida de todas nós. O que estou dizendo é que o mais importante de tudo é essa aceitação interna e o amor-próprio. O resto, acontece. E se não acontecer, se nunca aparecer esse tal de príncipe encantado, tudo bem também. Que nós ficamos muito bem sozinhas, né não? Bjs. E não ligue para essa gentalha.

 

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