Como ensinar seu filho a lidar com as emoções

cube-1644385_1920

Um dia eu fiz um teste com a Valentina.

Em meio à uma crise de birra, olhei bem para ela, e disse:

— Sabe por que você está assim? Você está frustrada e triste por não ter conseguido fazer o que queria.

Ela então, na mesma hora, parou de chorar e respondeu:

— Triste??

E foi parando de chorar, lentamente, enquanto eu conversava com ela sobre o que é ficar triste/frustrada.

Eu já havia lido a respeito. De como é importante que a gente ajude nossos filhos a identificarem e rotularem o que sentem, principalmente na primeira infância. No entanto, foi no livro que eu já citei aqui de John Medina – A Ciência dos Bebês, que entendi a fundo o que significa essa rotulagem de emoções e como ela pode ser determinante na futura felicidade dos filhos.

Para começar, vamos pensar em uma criança de dois anos, que sente emoções diferentes a cada minuto, mas não sabe nada sobre elas, não sabe nem que elas existem fora deles. Um bebê que se sente triste, por exemplo, não sabe verbalizar e nem conhece a tristeza. Por isso pode ter reações totalmente diferentes do que o que aquela emoção deveria passar. Ele pode ficar irritado, quando, na verdade, está triste, e por aí. Não sou eu que digo isso, são anos de pesquisa. Esse livro que mencionei é bem legal por isso, não é baseado em achismos, mas em fundamentações científicas.

Pois bem. A criança vai crescendo e aprendendo sobre as emoções, a depender de como os pais lidam com as emoções delas e deles próprios. Mas pode ser que ela cresça e tenha uma certa limitação emocional em se entender, em se expressar(conhece alguém assim? Conhece?…rsrsrs).

landscape-78058_1920

Correndo de uma DR

Como geral sabe, o autoconhecimento é uma das principais ferramentas de promoção da nossa felicidade diária. Pessoas que não se conhecem, não conseguem se relacionar com outras, e como somos seres essencialmente sociais, essas pessoas acabam sentindo-se muito sozinhas, de um modo muito negativo.

Acredito que ninguém quer isso para o filho. Por isso, estou aqui falando das emoções. Do quanto é importante que a gente aprenda a ajudar os nossos filhos a entender o que sentem, de modo a ajudá-los nesse crescimento emocional. Segundo o autor, as emoções funcionam como rótulos, elas nos ajudam a separar o que é importante de guardar na mente, o que deve ser descartado, e por aí vai. Esse filtro é essencial para nossa sobrevivência e nos ajuda na tomada de decisões. 

Nessa tarefa de ajudar as crianças a aprenderem sobre as próprias emoções, existem algumas coisas essenciais nesse caminho. Olha só:

Precisamos nomear as emoções

Quando nossos filhos estão frustrados, tristes, decepcionadas, ou então muito felizes, eufóricos, ansiosos, é importante que a gente desenvolva o hábito de rotular essas emoções. Claro que não estou falando de ficar dando aula a cada nova emoção do dia, simplesmente por que isso não é nada possível. Nossos filhos sentem umas quinhentas emoções por dia e a gente ia ter que pedir demissão do trabalho, parar de arrumar a casa e tomar banho para dar conta dessa demanda. Não é o caso.

alarm-clock-2097026_1920

Estou triste, estou feliz, estou triste, estou feliz, estou tris…

Mas todas aqueles momentos que você, mãe, sentir que é hora de ajudar seu filho com essa rotulagem, faça. E sem dizer que aquela emoção é boa, e  a outra é ruim. Temos que fazer tudo isso sem julgamento. Afinal de contas, no decorrer da vida é comum que sintamos coisas boas e ruins, somos humanos. O que faz algo ser bom ou ruim é nossa atitude diante dela.

Quando mencionei lá no começo do post o teste que fiz, posso garantir: funciona. As crianças amam aprendem e ficam mais calmas quando sabem o que estão sentindo. Minha filha já começou a saber identificar algumas emoções. E isso é uma coisa ótima. Fica mais fácil de se comunicar quando a pessoa sabe o que está sentindo. Pense nisso.

Precisamos saber falar delas

Um dos maiores problemas de relacionamento de todo mundo é a falta ou os ruídos da comunicação. Houvesse um diálogo eficiente e bonitão, a maioria dos problemas da humanidade estaria resolvido. No entanto, muita gente, mas muita gente mesmo, não sabe comunicar-se com outro. Às vezes, por não gostar. Às vezes, por não saber bem o que sente. O fato é que saber dizer o que sente é essencial para nossa relação com os outros.

Por isso, dê esse presente para seu pequeno. Ensine-o a verbalizar as coisas. Fica mais fácil de você, mãe, ter o controle sobre o que está acontecendo ao seu redor. Dessa forma você vai conhecer seu filho como se o visse o tempo todo com visão de Raio X. Esse é também o caminho para que ele aprenda a resolver os próprios problemas, conforme for crescendo.

Precisamos monitorar as emoções dos filhos

Esse tópico conversa bastante com o anterior, mas é um pouco diferente. Muitas vezes, a sua criança não vai falar com você. Muitas vezes, ele não vai saber fazer isso ou não vai querer mesmo. Como dito no livro “A Ciência…”, crianças mudam o tempo todo, inclusive o comportamento delas. Quando você aprende a monitorar de perto as emoções do seu pequeno, fica mais fácil de identificar o que está acontecendo com ele, além de antever o que funciona ou não na resolução dos problemas dele. Aprenda a conhecer seu filho a fundo mesmo, saiba ver a alma dele. Isso vai ajudar você naquela coisa que tanto falo, a empatia. Saber o que a criança tem é meio caminho para colocar-se no lugar dela,  de modo efetivo.

emotions-2028612_1280

Qual o nome desta emoção? Valendo dois dinheiros..

Precisamos ensinar a importância do autocontrole

A partir do momento que seu filho souber identificar o que sente, vai ficar mais fácil ele conseguir ter autocontrole, quando uma avalanche emocional se aproximar. Nem preciso dizer que isso é essencial na vida, né? Isso não significa julgar as emoções que prestam e as que não. Significa sim saber que determinadas emoções não são apropriadas para determinados contextos sociais, como, por exemplo, abrir o berreiro durante uma sessão de filmes na sala de aula quando um personagem morre. Claro que não há nada de errado em chorar, mas os coleguinhas vai tirar um pouquinho de sarro, nénão?

 

Você também precisa aprender sobre suas emoções

Uma lição de vida para todos nós. Muitas vezes, a rotina nos atropela de tal forma, que a gente acaba esquecendo de olhar um pouco para dentro, para fazer aquele exercício de autoconhecimento essencial. Quando paramos de olhar para nós mesmos e não sabemos identificar nossas próprias emoções, existe um grande risco de sermos infelizes, pois aprendemos a esconder e/ou julgar nossas emoções e isso nunca é bom. Como todo mundo sabe, as pessoas precisam uma das outras, precisam, inclusive, ser ouvidas, aceitas, amadas. Se você, mãe, não souber fazer essa aulinha de como lidar com as próprias emoções, pode esquecer por que não vai saber repassar conhecimento afetivo nenhum para seu filho.

Bom, acho que é isso. Bora viver nossa vida emocionante (trocadilho infame. Mas eu tinha que fazer….rsrsrs)?

 

 

 

Anúncios

Um comentário sobre “Como ensinar seu filho a lidar com as emoções

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s