Este post é para você que odeia crianças

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Dia desses, navegando pelo universo da internet me deparei com o texto da Rita Lisauskas sobre “A Nova moda é dizer por aí que odeia criança”. Eu adorei o post dela, achei bem pertinente, mas reparei pelos comentários que muita gente não gostou daquele “dedo na ferida”. Depois, em redes sociais, vi discussões e mais discussões sobre o assunto e percebi: esse ódio às crianças é muito maior do que eu imaginava, só que, ao que parece, ninguém gosta muito de reconhecer. Pois bem, não sou nenhuma Rita Lisauskas, mas gostaria de dar minha contribuição ao tema.

Na verdade, tenho obrigação de falar sobre isso. Esse blog trata de maternidade, em suma, mas quem acompanha de perto sabe o quanto sou defensora voraz das crianças. Por isso, bora falar mal de quem não gosta delas?

Peraí, deixa eu me aprumar por aqui. Não quero falar mal de ninguém, na verdade, nem sei como faz isso, santa que sou. Mas esse discurso de ódio é uma coisa que sempre me assusta bastante. E não estou falando apenas de quem não gosta de crianças, estou falando de quem é preconceituoso com uma série de outras pessoas também. Tudo isso faz meu sangue ferver, porque eu sou uma pessoa que não entendo muito bem esse troço de preconceito.

Daí você pode me dizer: Ah, para. Você não é preconceituosa, fala sério? Todo mundo é! E eu digo: Posso sim já ter tido pensamentos preconceitos. Já rotulei pessoas, etc e tal. Mas nunca me deixei guiar por esses pensamentos mesquinhos. Não deixo crescer esse monte de abobrinha que as pessoas falam uma das outras por causa de determinada característica. Sei que nós, em geral, somos contaminados diariamente por uma série de lugares comuns e ignorâncias e que cair nessa de colocar as pessoas dentro de uma caixinha, generalizar e tudo mais não tem absolutamente nenhum sentido, tendo em vista que (eu sempre defendo isso aqui), as pessoas são MUITO diferentes umas das outras.

Pois bem, estávamos falando de crianças e eu divaguei um pouco. Já voltei ao prumo e vou continuar.

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Foco!

Bom, ouço muito e até conheço meia dúzia de pessoas que falam bem mal de crianças. Que elas são chatas, que elas são inconvenientes, que o mundo não devia mais procriar e etc, etc. Antes de ser mãe, eu não queria ter filhos, mas sempre adorei crianças. Sempre soube diferenciar que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Atualmente o que se vê em algumas dessas pessoas que não querem ter filhos é uma aversão muito grande a TODAS as crianças. Só que a escolha de não ter filhos não significa que todas as crianças vão sumir da face da Terra por que o cidadão ou cidadã optou por não ter uma para chamar de sua.

Claro, não são todas as pessoas que pensam assim. Tem gente que tem bom senso, mas tem uma minoria (até considerável, viu?) que odeia crianças mesmo e propala isso aos quatro ventos, como se o mundo precisasse de mais discursos de ódio.

Você, cidadão ou cidadã, que se encaixa nesse perfil de quem acha certo que estabelecimentos coloquem placas dizendo “Proibida a entrada de crianças” ou diz que prefere bicho do que gente, que reafirma no seu dia a dia esse ódio à infância alheia, pare um pouco e pense: como teria sido sua vida de criança se a sociedade tivesse dito na sua orelha todos os dias que você não é querido em lugar nenhum? Que você tem que ficar mesmo é trancado em casa, por que não sabe se comportar, que sua mãe tinha mesmo é que fazer o favor de nunca sair para lugar nenhum com você para não atrapalhar as pessoas “normais”? Como ficaria sua cabeça de criança se você percebesse desde cedo que as pessoas odeiam umas as outras dessa forma, a ponto de odiarem, inclusive, um ser indefeso? Ou você discorda dessa minha afirmativa de que criança é um ser indefeso?

Ora, veja só: tudo é uma questão de bom senso, certo? Você, cidadão ou cidadã, que odeia crianças precisa saber que, em maior ou menor grau, vai cruzar com uma por aí e tudo bem. Os pais precisam ter o bom senso de saber dar limites para seus filhos para que eles aprendam, inclusive, a conviver em espaços públicos. Não estou pregando aqui que má educação é ok. Que a criança pode puxar o cabelo de desconhecidos na rua, cuspir no prato dos outros, xingar todo mundo do restaurante e tudo bem. Até o onde sei crianças não vão sozinhas a lugar nenhum, têm sempre os pais/responsáveis ali, de olho, e cabe a eles orientar os pequenos a se comportarem bem em sociedade.

Nao gostar de crianca

Só queria entender por que as pessoas nos odeiam…Somos tão fofinhos.

Acontece que criança, mesmo a mais bem educada, está suscetível a ficar irritada, com sono ou sei lá o quê. Durante uma dessas sequências de irritação – que acontecem com todo mundo -a criança pode sim abrir o berreiro em público, ou reclamar e tudo mais. A diferença entre elas e adultos é que elas ainda não possuem todos os mecanismos de autocontrole. Isso leva tempo. Por que as pessoas não entendem que a criança está em processo de aprendizado, que de vez em quando, ela vai perder as estribeiras mesmo, e isso não significa, necessariamente, que os pais são péssimos e não sabem educar?

Você que reclama de uma “criança má educada” que viu na rua deveria pensar duas vezes se tem mesmo essa moral  toda de falar de alguém que você, absolutamente, não conhece. A criança pode estar com fome, com sono, ou só cobrando algo que prometeram a ela, sei lá. O seu julgamento sobre isso dificilmente vai chegar na resposta certa dessa equação.

Crianças têm direito a passear, de vez em quando. Pais têm direito a sair com seus filhos. Pessoas sem filhos têm direito a frequentar lugares que se sintam bem. Todo mundo tem espaço. O nome disso é conviver. Mas por que, meu Deus, é tão difícil para essa galera entender o que é convivência? Lidar com os outros nem sempre é fácil, na verdade, é quase sempre difícil. É difícil no trabalho, é difícil em casa, é difícil com companheiro ou companheira, é difícil no trânsito. Todo mundo tem que lidar o tempo todo com contratempos e diferenças. E tudo bem. Saber conviver com as diferenças faz a gente crescer. Faz a gente ter humildade de saber que não somos melhores que ninguém. Que todo mundo tem algo a ensinar. Inclusive as crianças.

Ah, as crianças. Se as pessoas soubessem como esses seres podem mudar totalmente nossa visão sobre tudo, como elas são espontâneas, divertidas, imaginativas, verdadeiras. Se as pessoas soubessem que crianças têm uma capacidade de amar inesgotável e uma vontade de aprender que não cabe nelas, saberiam que elas não deveriam ser só aceitas e toleradas, deveriam ser bem-vindas. Mas uma vez reafirmo para não ficar dúvidas: devemos respeitar as escolhas das pessoas sempre. Daquele que não quer ter filhos e daquele que quer. Ninguém está certo ou errado, são posturas de vida diferentes. Agora, a convivência  com as crianças não é negociável. Mesmo que a pessoa não queira ter filhos ela vai ter que conviver, em maior ou menor grau, com elas. Já que estamos na Era do Compartilhamento, que tal se todo mundo começar a compartilhar espaço também, hein? Curtiu a ideia?

 

 

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