O medo não educa – Como o autoritarismo pode ser prejudicial para seu filho

Educacao Autoritarismo

Ultimamente, a minha filha está dando bastante trabalho para dormir à tarde. O sono da noite, na imensa maioria das vezes, é tranquilo. Ela vai dormir às oito, todos os dias. Porém a soneca diurna tem tirado a minha paz,. Ela resiste, chora, chora muito mesmo. Quando a Valentina percebe que eu fechei a porta do quarto para iniciar a rotina do sono da tarde, ela começa a pedir para sair do quarto, quer eu eu abra a porta, não me deixa pegá-la no colo de jeito nenhum. Entra em cena o famoso show das crianças de dois anos: a birra.

Confesso que eu não estava tão preparada assim para essa fase. Já falei sobre essa questão da birra há algum tempo (nesse post aqui), mas eu nem imaginava o que estava por vir. Agora sim posso dizer que ela entrou nos terrible two. Antes, era apenas ensaio. Bom, uma das principais motivações para as birras diárias dela é justamente a soneca da tarde. 

Eu já experimentei de um tudo: antecipar a soneca, atrasar, fazer rituais de sono legais e convidativos, como ler historinhas e cantar; já tentei fazê-la dormir em outro ambiente, já tentei fingir que dormia para ver se ela se tocava (kkk), e, quando a exaustão tomava conta de mim, eu desistia e deixava sem soneca. Acontece que não dormir à tarde deixa a Valentina muito cansada: ela fica chata, sem muita vontade de brincar e lá pelas 17h fica pescando de sono (já aconteceu de dormir no sofá de cansaço).

Ora, por que estou dizendo tudo isso? A mistura de falta de soneca à tarde, minha insistência para fazê-la dormir de dia e as constantes birras dela tem me feito perder a paciência mais vezes do que eu gostaria. Veja bem, não é fácil cuidar de uma criança sozinha (possivelmente você sabe do que estou falando): sobra tudo para a gente e a gente é de carne e osso.

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Meu conselho é que você pare para descansar, como faço todas as vezes

Frente a esse cenário que pintei agora, fica fácil entender por que estou falando de autoritarismo: minha falta de paciência e meu excesso de cansaço e de sobrecarga me fizeram pular bem rápido a fronteira entre “ser respeitada” e “ser temida”. E não estou falando de tapas e afins (que eu abomino, já até falei disso aqui), estou falando de decisões que as mães tomam todos os dias para que seus filhos cresçam pessoas decentes e felizes. Estou falando da rotina, de ter que explicar e lidar com as frustrações dos pequenos, sem apelar para mimos, joguetes de recompensas e os etcs da vida.

Foi em uma das minhas lutas diárias para fazer a minha filha dormir à tarde, que tive o insight de que eu estava forçando-a a algo que ela não queria, sem perceber. Sim, ela precisa do sono vespertino, mas tem dias que ela fica bem, mesmo sem dormir à tarde. Como todo mundo, as crianças também tem alterações de humor, de apetite e de sono. Naquele dia que eu insistia para fazê-la dormir, ela não estava com nenhuma vontade. E isso não era pirraça ou coisa parecida. Naquele dia, ELA NÃO ESTAVA COM SONO. Só que eu não percebi isso, pois estava condicionada a olhar para um padrão e esqueci de olhar para ela. Depois de tudo, ela dormiu de exaustão, de tanto chorar. E mesmo assim dormiu super mal, soluçando.

Foi assim que cheguei no tal do autoritarismo, e comecei a questionar se era assim que eu queria educar minha filha. Quem acompanha esse post sabe que eu prezo por uma educação baseada em empatia e MUITO amor. Que não acredito que carinho demais vai mimar a criança, que ter delicadeza vai “estragar” a pequena, que criança tem que obedecer e ponto.

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Mas alguém tem que mandar na casa, certo?

Acredito muito na educação pelo respeito. Não quero que a Valentina tenha medo de mim. Quero que ela me respeite. São coisas bem diferentes. Mas com a minha atitude autoritária de fazê-la dormir, sem que ela tivesse um pingo de sono, estou indo contra essa educação que eu sigo.

Por isso, esse post. Para mostrar que nós, mães, erramos, muitas vezes, sem perceber. Sobrecarregadas no mar de tarefas que temos, esquecemos de parar para refletir sobre quem somos, e quem estamos nos tornando. Sobre o que a gente valoriza e o que faz, efetivamente, no dia a dia. Com raríssimas exceções, toda mãe quer o melhor para o filho, mas esse “querer” pode ser feito de um modo um tanto atabalhoado, incoerente e autoritário.

Nesse dia, depois de tudo, conversei com minha filha e fizemos um combinado: a soneca da tarde ia continuar existindo, mas somente quando ela tivesse sono. Que eu ia tentar, ao máximo, perceber se, naquele dia, ela estava cansada e precisava dormir durante o dia, ou não. Pedi desculpas para ela e para mim mesma. Evidentemente, nossos problemas de sono não acabaram só com essa conversa. Mas já percebi uma melhora, uma resistência menor. Acho que por que estou aberta a ceder, quando necessário, e por que não estou “obrigando” a Valentina a ter sono, quando ela não tem.

Veja bem, não estou falando de afrouxar todas as regras e fazer o que a criança quer. Todo mundo sabe que criança precisa mesmo de limite. Eu falo muitos “nãos” para minha filha durante o dia, mas tento escolher as negativas com sabedoria. Tento ter empatia para perceber se o pedido dela carece mesmo de um “não” e explico, sempre que possível, o motivo de eu estar negando algo. Sim, toda criança precisa de limite, mas a gente precisa aprender a criar esses limites com respeito à criança. Autoritarismo também é uma forma de violência. Vencer uma criança medindo forças com ela é um tanto quanto infantil, a meu ver.

Nós somos as mães, eles são os filhos. Mas isso não significa que tudo o que a gente fale ou faça é verdade absoluta e não pode ser questionado. Somos humanas e passíveis de falhar (e como falhamos). Essa humildade é um passo importante na direção de uma educação verdadeiramente eficaz, que visa criar pessoas verdadeiramente fortes e felizes e não “falsos” cordeirinhos. Na minha sempre humilde opinião, gente criada com base na estratégia do medo tende a se rebelar de todo esse autoritarismo na primeira oportunidade. E todo mundo sabe que gente reprimida faz um estrago danado, né?

Até o próximo post!

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