Sobre a importância de criar mulheres fortes

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Fui criada para ser forte. E por forte não digo que não sucumbi uma meia dúzia de vezes, mas a questão toda é que sempre soube levantar depois da queda. Acho que isso é um mérito. Não sou feita de pedra, nem tampouco de ferro. Mas não me liquidifico diante das frustrações. Aprendi desde cedo a respeitar as minhas opiniões, a não ser levada pelo eco das vozes alheias. Sempre soube calar para ouvir minha própria voz.

Também descobri rápido que a gente não é nunca uma coisa só: que nossa aparência física não nos define, que nossos erros não nos definem, que nossos acertos não dizem tudo sobre a gente. Somos matéria mesclada e nunca completa. Estamos sempre em transformação. Devo esse meu modo de ser a vários fatores, mas, principalmente, aquela que sempre foi a mulher que eu me espelhei: minha mãe. Ela era uma mulher forte e me fez forte. E a grande graça de você ser assim é enxergar a vida como nossa, e de mais ninguém.

Quero muito que minha filha seja uma mulher forte. Que saiba levantar depois da queda, que ouça sempre a própria voz e não a dos outros, que não se limite por uma meia dúzia de características, que empodere a própria vida. Agora, como faz isso? O que minha mãe fez que me tornou assim? Foi somente ela a responsável por esse meu traço de personalidade/ visão de vida?

Desde sempre acredito muito que pais ensinam muito mais pelo exemplo do que pelo palavrório. Que nossos filhos vão olhando a gente assim, diariamente, observando como a gente se porta, o que diz que faz, mas não faz, o que não diz que faz, mas faz, e daí eles vão tirando a visão de quem nós somos para ajudar a construir a própria identidade. Evidentemente, uma pessoa é feita de muitas coisas: além da criação dos pais, tem a influência do ambiente externo, da própria personalidade e de tudo que acontece com ela.

Mas aquela avaliação primeira do comportamento dos pais fica para sempre na memória mais íntima de todo mundo. E eu considero que essa é a pedra fundamental da formação do caráter. Olhamos para as pessoas que mais amamos, que moram, que convivem com a gente e chegamos à uma espécie de síntese de nós mesmos.

Ora, pensando por esse lado, minha mãe foi um baita exemplo mesmo: determinada, até mesmo bem teimosa, cheia de vida, iniciativa, criativa, otimista, feliz, em suma. Ela enfrentou milhões de adversidades sendo a nordestina que veio enfrentar em SP um mercado de trabalho que nunca foi acolhedor com ela, como nunca é para quase ninguém. Apesar disso, ela conseguiu realizar boa parte dos sonhos, e, principalmente, conseguiu, segundo palavras dela “criar filhos honestos, instruídos e felizes”. Era tudo o que ela queria. Minha mãe respirava família. Tudo era pela gente, para a gente, com a gente. Seus cinquenta e oito anos foram muito bem vividos e tenho certeza que, se existir  mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia (oi, Shakespeare, obrigada por essa frase!), ela está bem felizona agora.

Ela foi meu exemplo e nem precisou falar muita coisa para me fazer quem eu sou hoje. Era rígida quando devia, mas sempre soube ser bem flexível conosco. Era carinhosa, afetuosa e generosa. No entanto, a última palavra sempre foi dela. E, mais importante, minha mãe sempre soube fortalecer minha autoestima, não apenas dizendo que eu era linda (todas somos, mesmo não sendo…rs), mas que eu era inteligente, correta, decidida e por aí vai. Sempre ouvi dela que eu era motivo de orgulho: ela elogiava os filhos para todo mundo que encontrava. Além disso, respeitava minhas escolhas, me incentivava e, quando tudo dava errado, lá estava ela com aquele colo que vale por mil terapias, disposta a me ouvir chorar por horas.

Minha mãe me deu as ferramentas, eu e o rumo da minha vida fizemos o resto. Hoje, com a Valentina, tudo o que quero, e o que aconselho para todas as mães, não somente de meninas, mas de meninos também, é que aprendamos a tornar nossos filhos fortes pelo exemplo, pelo carinho, pela empatia, pela autoestima. O ganho para a sociedade é substancial por um motivo simples: Gente forte não destrói os outros, por que gente forte tem a si mesmo. E isso basta. 

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