Como nasce a timidez?

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Talvez você que me leia agora não sinta essa vontade enorme de sair correndo toda vez que tem que se socializar, fazer novos amigos, flertar com um crush, falar em público (socorro!). Se você nunca sentiu esse desejo enorme de fugir dessas situações, meus parabéns! A timidez não faz parte da sua vida. Porém, eu, Cíntia Ferreira, sou tímida – e muito. Já fui mais, porém essa ainda é uma característica que me acompanha sempre. Acontece que dia desses deu curiosidade de saber quando nasce essa tal de timidez. De vez em quando (raramente), minha filha Valentina fica com vergonha de algo. Foi aí que nasceu a ideia desse post. Bora falar de timidez em crianças?

Primeiro, é importante lembrar: timidez não é doença! Eu sempre fui muito julgada por TODOS por ser assim, mais quietinha. Quando eu dizia que queria ser jornalista, já adolescente, as pessoas faltavam me bater dizendo que eu não ia me dar bem na profissão, por que jornalista tem que falar pelos cotovelos (oi?). Porém, todavia, entretanto eu sempre fui muito decidida. Ninguém nunca consegue me desanimar de meus objetivos. Falo tudo isso para enfatizar para você, mãe que tem um filho mais tímido: ele não tem nenhum problema. O fato dele ser mais reservado é um traço de personalidade. Claro que existem situações patológicas, quando o indivíduo se esconde de toda e qualquer situação que envolva lidar com outras pessoas e vive no isolamento. Mas não é o caso aqui. Estou falando dos casos normais. De gente tímida como essa que vos fala.

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Juro que o gato não comeu minha língua!

A timidez – de fato – só começa a aparecer por volta dos dois anos de idade. Isso por que, antes disso, o bebê ainda não tem muita consciência do outro (falei sobre isso detalhadamente nesse post). Ele não possui ainda um nível de interação como o nosso. Ele se vê na mãe, no pai, em quem cuida dele. Não sabe que existe. Mais ou menos isso. Daí com uns dois aninhos, a criança começa a perceber-se como pessoa. Tanto que é nessa fase que entra a “afirmação” do pequeno sobre o mundo, a chamada adolescência do bebê. Esse é o período em que ele passa a se importar com o julgamento alheio, com a aprovação dos pais, etc. É nesse cenário que a timidez começa a aparecer.

Muitos pesquisadores afirmam que a timidez é um híbrido: há uma predisposição genética, mas o que influencia mesmo é o ambiente externo. Há um texto bem legal e reflexivo sobre timidez em crianças, nesse link aqui. Nele, os autores Jon Talber e Ester Cartago afirmam que uma criança pode ter um temperamento mais introspectivo, mas é o comportamento, a forma como ela foi “condicionada” durante a infância, que vai determinar se ela será um adulto tímido ou não.

Pesquisando sobre o assunto, vi que o tema é complexo. Nesse texto que referenciei acima, por exemplo, eles falam que o tímido sempre tem um certo grau de insegurança. Eu acredito nisso, mas não totalmente, por que me sinto uma pessoa segura, e ainda assim sou tímida. Porém sei que nem sempre fui assim. Talvez eles estejam certos sobre isso. Eu aprendi a ser tímida e agora não sei mais “desaprender” por que trata-se de um comportamento muito enraizado em mim.

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Chegou visita, Cíntia! Vem falar com elas!

O que importa, na minha opinião, é que os pais avaliem, conforme a criança cresce, se a timidez atrapalha ou não a vida dela. E que sempre tentem adotar uma postura respeitosa com o filho, tendo em vista que as pessoas são diferentes e ser mais introspectivo não tem problema algum. Evite forçar a criança a fazer as coisas, como dar beijo em estranhos, falar com as visitas e por aí vai. Cada um tem um tempo para fazer as coisas. Nós, pais, temos que conhecer bem nossos filhos também por isso: precisamos saber respeitar a individualidade deles sempre.

Importante também é reforçar a auto-estima da criança: talvez seja essa a chave de toda essa questão envolvendo a timidez. Se a criança cresce sentindo-se capaz e singular, não existe timidez que vá atrapalhar a vida dela. Se ela aprende que tudo bem ela ser mais quieta, tudo bem ela não gostar de festa, tudo bem ela querer ficar sozinha, às vezes, ela vai internalizar que não tem nada de errado com ela e vai crescer emocionalmente “forte”. Se ela não é repreendida, nem comparada aos outros, por ser mais tímida, talvez não desenvolva essa insegurança tão comum nos casos de timidez.

Para terminar esse post, vou citar Mário Quintana, um tímido confesso, que falou a melhor coisa que já ouvi sobre o assunto:

Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese (Mário Quintana).

 

 

 

FONTES:

http://sitededicas.ne10.uol.com.br/ed_integral_criancas_a_timidez.htm

https://br.guiainfantil.com/blog/educacao/comportamento/a-timidez-e-a-vergonha-das-criancas/

http://brasil.babycenter.com/x3400485/%C3%A9-normal-que-minha-filha-t%C3%A3o-pequena-j%C3%A1-seja-t%C3%ADmida

https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/comportamento/quando-a-timidez-e-um-problema-para-as-criancas/

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/como-ajudar-seu-filho-pequeno-lidar-timidez-743072.shtml

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI2173-15130,00.html

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