Adolescência do bebê – Sim, eles também têm isso!

Terrible two

Lembro de um comercial antigo que mostrava uma criança se debatendo no chão do supermercado por querer algo. A mãe, claro, ficava envergonhada, e daí a publicidade terminava assim: Use camisinha!

Talvez você que me lê agora lembre, talvez não. Estou ficando um pouco vintage, têm referências minhas que os muitos jovens podem não entender. O fato é que, na época, eu adorava esse comercial. Achava o máximo. Hoje odeio. Acho tosco e nada a ver. Claro que mudei de ideia. Virei mãe. Pude ver na prática que uma criança é muito mais do que uma birra sem noção no supermercado. Hoje já sei que essa cena pode acontecer com QUALQUER PESSOA que tenha filhos, por mais educados que eles sejam.

Mas o fato é que essa cena me veio à memória por que andei lendo sobre uma fase muito temida pelos pais, e que a Valentina já começou a vivenciar: a adolescência do bebê. Tem gente que chama de Terrible Two, mas gosto mesmo é do bom é velho português. Essa fase, que começa mais ou menos quando a criança tem 1 ano e meio e pode durar até uns três, quatro anos, é linda de viver. Muito choro, “não vou fazer”, ataques de birra em público, e por aí vai. Se você tem uma criança passando por isso em casa, saiba que esse comportamento nada agradável é absolutamente normal. Vou mostrar por quê.

A criança por volta de dois anos adquire uma noção muito importante para o desenvolvimento dela: a noção de que é um indivíduo, separado dos pais. Até então essa visão de “separação” não existia na cabeça dela. Tanto que Laura Gutman, no livro A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” chama o bebê e a mãe de mãe-bebê/bebê-mãe justamente por que há uma fusão emocional muito grande entre os dois nos primeiros anos (falei disso nesse post aqui).

Acontece que bebês crescem e viram crianças. E a criança passa a querer “existir” de fato no mundo: quer fazer valer suas vontades, custe o que custar. Todo ser humano tem em si esse desejo incessante de querer que o mundo seja como ele quer, mas os adultos sabem controlar esse ser que quer, quer, quer. A criança ainda não aprendeu a dominar isso, por isso não consegue lidar com a frustração. Daí vem a famosa birra (fiz um post só sobre essa danada. Tá aqui), os choros, os gritos e tudo mais.

Adolescencia do bebe

Eu quero jogar Pokemon GO!!!!

A criança que se descobre indivíduo acaba querendo também opor-se aos pais desenfreadamente. É fácil de entender: até então os pais “ditavam” o que ela deveria fazer, comer, vestir. Depois de um tempo, o pequeno começa a andar e aprende a falar. Com a comunicação vem o fortalecimento de ser que quer existir: entra em cena o “não”, “sou diferente dos meus pais” “quero o oposto do que eles querem”, etc. Essa oposição é natural e passa. Depois de estabelecida essa individualidade eles param de ser tão “do contra” (nem sempre).

Parece que estou divagando, mas isso é ciências, tá? Gente que estuda o comportamento das crianças e chega a essas conclusões. Mas a gente que é mãe nem precisa ir tão longe. Tem em casa a certeza de que quando o bebê faz dois anos ele muda. Aqui com a Valentina até agora tem sido tranquilo, apesar de tudo. Ela tem dias de mais “chatice”, mas ainda é uma criança bem boazinha. Eu venho acompanhando esse desenvolvimento dela de bem perto, graças ao privilégio de poder ficar em casa com ela, primeiro por conta do home-office e agora por estar desempregada. 

Birra do bebe

Não fale “desempregada”. Fale “aguardando recolocação”.

Acontece que eu  já aprendi algumas coisas sobre essa fase na prática. Sei o que funciona e o que não funciona com minha filha. Claro que também li a respeito. Por isso reuni algumas dicas que podem ajudar a minimizar essa “crise” dos dois anos. Além disso, é importante ressaltar: toda criança passa por isso, mas não da mesma forma.  Alguns sentem mais, outros menos. E tudo depende muito de como os pais lidam com o negócio todo. Vale aquela máxima de que cada criança é única.

Vamos as dicas?

Estimule a autonomia da criança – Dê para ela opções para que ela sinta que está escolhendo algo. Mas não diga, por exemplo: Você quer tomar banho? Ela vai dizer que NÃOOOOOO, evidentemente. Mas pergunte algo como: Você quer usar a camiseta amarela ou a cinza? Com isso ela sente que está “decidindo”, o que é importante para ela tendo em vista a historinha toda que contei acima.

Estimule também a independência – Crianças gostam de ajudar. Elas se sentem muito bem em colocar roupa suja no cesto, por mais que essa tarefa seja só chata e maçante para os adultos. Saiba o que dá para ela fazer e estimule isso. Por exemplo, desde sempre incentive-a a guardar os brinquedos. Dê tarefas simples para a criança sentir-se útil. Isso também ajuda muito a controlar aquela vontade que elas têm de fazer as coisas na hora errada (é hora de jantar e o pequeno resolve montar o conjunto inteiro do Lego junto. Mais ou menos isso).

Não ceda – Essa foi a primeira regra que estipulei para mim mesma quando via uma birra se aproximando. Aprenda a não ceder aos pedidos de uma criança descontrolada. Ela vai entender que pode usar essa tática sempre e o negócio vai ficando cada vez mais difícil. Mostre para ela com atitudes que aquele comportamento escandaloso não é aceitável e não servirá de nada. 

Seja amoroso e converse com ela – Eu sei. É difícil segurar o grito quando a criança começa a testar a paciência da gente. Mas aprenda você também a contar até dez antes de fazer algo. Deixe a criança “estourar” e só depois converse com ela a respeito. Evite dialogar durante o acesso de raiva. Seu pequeno não vai te ouvir. Deixe-a se acalmar (crianças pequenas já conseguem fazer isso) e explique, amorosamente, que não é assim que se resolvem as coisas, que você ficou chateado com ela, mas que a ama e que vai tentar entender o que houve, etc, etc.

Não recompense – Não use de chantagens com seu filho. Não é aceitável para os adultos, que dirá no universo infantil, cheio de cérebros em desenvolvimento. Evite, ao máximo, dizer coisas como: Se você fizer tal coisa, eu dou aquela bala para você. Não a condicione a achar que as coisas são realizadas na base da recompensa. Isso gruda no cérebro igual cola e nunca mais sai. A criança deve aprender que ela precisa estudar, por exemplo, para evoluir na vida, para adquirir conhecimento e por aí vai. Não para que os pais deem um presente caro para elas depois de uma nota 10.

Tenha tempo para a criança – Esse também é bem importante. Muitas vezes a criança faz muitos ataques de birra para chamar a atenção dos pais. E isso pode significar que ela quer ser vista. Apesar de normal, esse desejo por atenção, quando exacerbado, pode demonstrar que o pequeno sente falta de mais tempo com os pais. Nessas horas vale refletir sobre a qualidade do tempo que você passa com seus filhos e também sobre quantidade. Presença para criança é quantidade e qualidade. Não tem jeito. É demanda hardcore mesmo. Um comportamento muito agressivo pode esconder uma criança triste (falei sobre a importância do tempo nesse post).

Bom, por hoje é isso. Até a próxima.

 

FONTES:

https://drauziovarella.com.br/crianca-2/crise-dos-dois-anos-mito-ou-realidade/

http://bebe.abril.com.br/familia/adolescencia-do-bebe-a-terrivel-crise-dos-2-anos/

http://www.marisapsicologa.com.br/crise-dos-2-anos-de-idade.html

http://www.paisefilhos.com.br/crianca/os-terriveis-2-anos-saiba-o-que-esperar-da-fase-da-birra/

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5 comentários sobre “Adolescência do bebê – Sim, eles também têm isso!

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