Para minha filha (por que você anda crescendo rápido demais)

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Outro dia te vendo montar as peças de Lego me dei conta de que você anda crescendo muito rápido. Parece que foi ontem que essas mesmas peças iam parar na sua boca, e você as apreciava com o prazer de quem come um pedaço de chocolate; ou um pouco depois quando ficava brava por não conseguir encaixá-las no lugar certo. Hoje já monta até castelo, coloca a boneca dentro, faz de conta que é a casinha. Brinca de “cadê? achou!” e dá altas gargalhadas quando eu finjo que não estou te encontrando.

O tempo passa depressa, todo mundo sabe disso, mas quem é mãe parece que vê essa passagem com mais clareza. Foi dia desses que te peguei pela primeira vez no colo, você tão pequenininha, e eu com medo de quebrar algo em você. Nessa época, você mal abria os olhos, gostava mesmo era de dormir daquele jeito caótico que os bebês dormem, queria mesmo era colo de mãe, colo de mãe, colo de mãe.

Hoje esses mesmos olhos se arregalam em sensações toda vez que vê que o mundo tem mesmo tanta coisa para olhar. É a estrelinha no céu a brilhar, o céu azul e limpinho da tarde. Um pássaro que voa lá no alto, uma pipa, um mosquitinho na parede. Tem tanta coisa que você precisa conhecer, tanto lugar que eu quero te mostrar. Praia, piscina, zoológico, parque, biblioteca.

Quero sim que você aprenda a ver o mundo em toda sua beleza e não perca nunca mais essa capacidade de olhar com amor para tudo. Ah, como é bom ser criança, não é? A mãe está lá o tempo todo: quando algo dá errado, quando algo dá certo, quando se machuca, quando faz uma nova descoberta. A infância talvez seja tão boa por isso também: é mãe perto o tempo todo.

Eu vejo todo seu crescimento como quem redescobre a infância. É tão bom poder ver que ontem você não sabia o que fazia aquele bebê lá do outro lado do espelho. Hoje em dia já se reconhece, brinca com o próprio corpo, quer se fantasiar, fazer careta. Não só no espelho, se reconhece até mesmo na própria sombra. Sabe que é você aquela mancha escura na parede. Tão estranho o mundo, não é?

A gente corre, corre, corre para acelerar ainda mais esse tempo que já voa rápido demais. Daí envelhece e tem saudades de quem foi (ou de quem poderia ter sido). Acontece que nós bem poderíamos parar um pouco o tempo olhando uma criança brincar. Elas sim sabem que o dia foi feito para ser aproveitado: Que tal seguir os passos de uma formiga em direção à sua casinha? Ou de vez em quando deitar no chão e olhar para  o céu? 

Ver você crescer me trouxe a lembrança de tudo o que sentia quando eu era criança. Como era bom acreditar que se a gente desejasse com todo coração e cantasse determinada canção a mãe ia aparecer mais rápido, da volta do trabalho… Como era divertido contar os azulejos da rua, soletrar as palavras das placas de sinalização, das fachadas da loja! Como era gostoso o dia quando chovia e a gente saía para tomar um banho de chuva e pisar nas poças de lama!

Você está crescendo e já sabe onde fica o pé, a cabeça, o nariz, a boca. Sabe, inclusive, que corpo foi feito para dançar também, que a voz foi feita para cantar, que vida foi feita para saborear. Ainda não sabe (ainda bem) de toda a dificuldade que existe na nossa existência terrena, que, muitas vezes, dá vontade de chorar ao ver que o mundo não te trata com delicadeza, quando você vira adulto.

Mas não pense nisso agora. Isso é coisa para mais tarde sentir. Agora é hora de experimentar a riqueza de ser criança. Brinca sim, minha filha! Me chama para brincar, mesmo quando eu estiver no meio da faxina. É seu direito querer que o dia seja só de brincadeiras. Na sua idade é para ser mesmo.

Sua infância é seu tesouro. E você é o meu.

 

 

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