Mães cansadas não são boas mães

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Sim. Vou defender essa ideia aqui e agora. Não foi nada que eu tenha lido, pesquisado ou ouvido falar. Aconteceu (e acontece) comigo, em eventuais situações. Já notei que todas as vezes que eu perdi a paciência, gritei, fiquei nervosa com a minha filha envolviam dias de muito cansaço, quando não de exaustão mesmo. Nunca era por nada demais: um dia era por que ela queria brincar com algo que não era brinquedo, ou por que não queria tirar a soneca da tarde, ou por que pedia sem parar o meu colo, ou por que queria mamar bem na hora da faxina. Enfim, situações banais que me deixaram a sensação nada agradável de me sentir uma péssima mãe. Mas, afinal…

O que é ser boa mãe?

Vez ou outra, vem a pergunta interna capciosa: serei eu uma boa mãe? Normalmente, a gente tem vergonha da explanação alheia, fica matutando sozinha mesmo, pensando se está dando conta do recado como deveria. Eu não sou diferente. O que muda em mim é que desde que eu saí da fase maluca do puerpério (falei dele aqui), senti uma segurança muito grande de que era sim uma boa mãe, pois meu modelo materno, é claro, sempre foi a minha mãe, e ela era ótima. Para mim o material de uma boa mãe nada mais é do que MUITO amor, dedicação, atenção, paciência e cumplicidade. Talvez tenha mais coisas, mas acredito que essas são as essenciais.

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Uma imagem de boa mãe para ilustrar o post

Ser uma boa mãe, a meu ver, é amar seu filho e fazer o possível para que ele seja feliz, decente, realizado. É ter condição de se dedicar ao exercício da maternidade, cuidando, educando, brincando, conversando. É conseguir contar até dez e ter paciência para explicar pela milésima vez a mesma pergunta. É não agredir, é não gritar, é ouvir o que o filho tem a dizer sempre. É ter empatia. É ter segurança de que está fazendo o certo. Minha mãe tinha tudo isso, e eu sempre achei que ela era uma mãe maravilhosa.

Eu me enquadrei desde sempre nessas categorias também por que me encontrei na maternidade. Foi e é uma experiência que me faz muito feliz. Além disso, eu sou bastante segura  a respeito do que acredito ser melhor para minha filha. Nunca me importei com os papos de dar colo demais, de dar de mamar por tempo demais, etc, etc.

Acontece que, dentre todas essas coisas, a mais difícil talvez seja a paciência e é essa a qualidade que, ocasionalmente, sinto escorrer dos dedos nos dias mais complicados. Com minha mãe não era diferente, ela também ficava nervosa. Isso não diminuiu em nada minha percepção sobre ela. Talvez esteja aí o segredo.

Mas antes, uma explicação.

Por que o cansaço é tão anti-maternidade?

Eu fui uma péssima mãe e uma ótima mãe em um espaço de poucas horas, isso por que eu estava cansada demais para me esforçar em ter paciência, no primeiro momento, e estava descansada e feliz, depois de terminar o que tinha para fazer, colocar a Valentina para dormir e tomar um banho relaxante, no segundo. O que mudou foi a minha disposição em acertar, só isso. E o erro aconteceu por que eu não aguentava mais tanta tarefa, ter que fazer tudo sozinha, ter um bebê chorando por querer colo e eu não poder dar por estar “ocupada”.

Nesse dia, raciocinei o que escrevi no título. Eu, cansada, sou péssima mãe quase sempre. Perco a paciência mais vezes do que gostaria de lembrar, culpo e desconto em uma pessoinha que não merece uma mãe louca, gritando, estressada o tempo todo. O gatilho de péssima mãe é ativado quando me sinto exausta, sobrecarregada, sozinha. Acredito, de verdade, que muita gente se sente assim também. Talvez você, que me lê agora. Por isso, lá vem a dica. Calma aí, o desabafo está no final.

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O que fazer, então?

Descubra seus gatilhos. Descubra por que fica irritada, chateada. Associe seu estado interno com os episódios de explosões. Talvez você perceba que, assim como eu, não consegue ser a mãe que seu filho precisa quando está cansada demais para pensar a respeito. Se for esse o caso, pare um pouco e avalie: o que você pode fazer para mudar?

É tarefa demais para você sozinha? Delegue. Divida por dias. Organize-se para fazer um pouquinho por vez apenas. Priorize e deixe para lá o que não é tão importante assim. Aprenda também a parar e dar a atenção que seu filho precisa, caso contrário ele vai te cobrar isso, cada vez mais (falei sobre isso nesse post). Alivie as tensões com atividades que te agradam, como ouvir música, ler, assistir TV, sei lá. Tenha tempo para você, nem que para isso você precise deixar seu pequeno ou pequena na casa de alguém de confiança por trinta minutos que seja.

O importante é reconhecer que você não é uma super heroína, e que esse negócio de maternidade, às vezes, pesa como chumbo mesmo. O essencial é saber que, embora perder a paciência seja assaz humano, a prática deve ser evitada sempre que possível. Seu filho não merece gritos e dramas. Na verdade, ninguém merece. O ponto chave é entender que dias de estresse devem ser exceção, não regra. Que seu filho vai saber reconhecer, como eu soube, que você é uma boa mãe, apesar dos maus dias. Sinta-se à vontade para chorar por não conseguir acertar sempre. Acontece com todo mundo. Mas não faça disso uma ferramenta de desculpites. Seja melhor hoje do que foi ontem.

Desculpa pelo post de auto-ajuda. Como disse anteriormente, errar é humano…rsrsrs. Bjs.

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