O que a coceira intensa pode significar na gestação?

Colestase-gestacional

Sei que faz um pouquinho de tempo que prometi falar da coceira intensa que tive na gravidez, mas nunca é tarde para cumprir promessas. Pois bem. Hoje vou falar de Colestase Gestacional, o nome técnico para a pior coceira que eu tive na vida e que pode afetar de 0,5 a 2,0% das futuras maẽs. Sim, eu sei! Com esse número você deve estar pensando: que sorte, hein, Cíntia, fazer parte dessa estatística? Pois é. Afff.

Mas vamos ao  que interessa que é falar um pouco dessa doença tão peculiar. Para começar, um esclarecimento: não cheguei a ser diagnosticada, mas por tudo que vivi no último trimestre de gestação sei que não pode ter sido outra coisa. Vocês vão entender por quê.

A Colestase Gestacional é uma doença um pouco complicada de explicar. Ninguém sabe muito bem de onde vem, por que aparece, etc, etc. No entanto, há estudos a respeito. O que vou citar aqui é parte de minha conhecida referência bibliográfica de confiança. Pesquisei bastante na época que tive o problema e também agora para escrever esse post. O principal sintoma (e também o mais infernal) é uma coceira incontrolável pelo corpo todo, que começa nas palmas das mãos e pés e se espalha. Costuma piorar muito à noite, tornando o sono uma missão quase impossível.

Essa que vos fala agora ficou o último mês de gestação sem dormir nadica de nada por conta dessa coceira. Como eu passei pelo fim da gravidez em épocas de intenso calorão, juntou tudo: o coça-coça sem fim se uniu ao barrigão que não fica bem em posição nenhuma na hora de deitar, o suadouro do verão quis participar também, etc, etc. Eu lembro de ir dormir com uma bolsa de gelo para conseguir sanar um pouco da coceira. Minhas pernas ficaram completamente machucadas de tanto que eu coçava. As pessoas diziam: Ai, para de coçar! E eu queria esfregar a bolsa de gelo na cara delas. Só quem vive uma coceira incontrolável como a da Colestase sabe que NÃO TEM COMO PARAR DE COÇAR.

Colestase gravidez

Dá sim! É só ter força de vontade!

Pois bem. A Colestase acontece por que a bile, aquele líquido que sai do fígado para ajudar na digestão e absorção de nutrientes (você conhece! Lembra das aulas de Biologia, tá), não é 100% bem secretada em algumas grávidas e os sais acumulados vão parar no sangue, causando essa coceira intensa. Não se sabe bem qual a causa, mas há um forte componente genético envolvido. Além disso, grávidas de gêmeos, com mais de 35 anos ou que tiveram a doença em outra gestação são mais suscetíveis ao problema. Há ainda uma grande evidência científica (que você pode ver por esse estudo aqui) de que os níveis elevados de estrogênio na gravidez desencadeiem a doença.

O distúrbio aparece após a 30ª semana e desaparece como mágica, assim que o bebê nasce (no meu caso, ainda fiquei uns dois dias com um pouco de coceira e depois passou). No entanto, a mulher que desenvolve esse problema deve fazer um acompanhamento no pós parto (coisa simples, só alguns exames para ver se está tudo na normalidade de novo). Eu não cheguei a fazer, pois não levei essa questão para minha obstetra (por isso não tive diagnóstico).

Apesar de ter outros sintomas, como insônia, icterícia (pele amarelada), fezes claras e urina escura, eles não são muito comuns. O que pega mesmo é a coceira. Qualquer coça-coça prolongado no final da gestação deve ser investigado. Uma vez diagnosticada, a grávida vai tomar, basicamente, antialérgicos para diminuir a coceira, mas o tratamento mais efetivo é realizado com ácido ursodesoxicólico (UDCA), de acordo com o estudo que eu referenciei acima.

coceira-na-gravidez

Ursode o quê?????

Eu tomei antialérgicos e até mesmo corticoide (Quando eu passei por uma grave crise de coceira que me levou ao Pronto-Socorro), mas nada funcionou.

Dito tudo isso, eu sei que você deve estar se perguntando…

Essa coceira incontrolável na gravidez prejudica o bebê?

Bom, a doença não costuma ter consequências mais sérias, mas elas existem. O maior risco é de parto prematuro, mas há chances de que ocorra sofrimento fetal e até a morte do bebê. Como disse no começo, essa é uma doença bem desconhecida ainda, até mesmo na comunidade científica. Não existe uma explicação muito precisa sobre o por que dessas coisas, mas é sempre bom fazer um pré-natal adequado e avisar ao médico sobre qualquer coceira mais persistente.

No meu caso, não houve consequências. Minha filha nasceu super saudável, bela e apaixonante. Mas eu passei por um certo “perrengue” durante o trabalho de parto: ouvi da equipe médica depois de exames que havia presença de mecônio (fezes de bebê) e, portanto, o meu parto deveria ser acelerado. Quando o mecônio é expelido ainda na barriga, o neném pode aspirar o material, entrar em sofrimento fetal e morrer (vale lembrar que a presença de mecônio, em si, não é indicativo de que o bebê está em perigo. Leia esse material bem legal sobre o assunto para elucidar dúvidas sobre isso).

Prometo falar mais sobre o parto em si, pois é uma experiência que merece ser postada. Mas no post de hoje cumpri, modestamente, a missão de informar e dividir minha experiência. Essa coceira que tive foi uma das piores coisas que já senti e não desejo para ninguém (ainda mais para uma grávida, que nem o pé consegue enxergar mais…kkk). Por isso, minha gestante, se você sentir coisas estranhas assim, corre para o médico, tá? Não perca tempo. Bjs!

FONTES

http://www.febrasgo.org.br/site/wp-content/uploads/2013/05/Femina-v37n4-p203.pdf

http://brasil.babycenter.com/a1500564/colestase-da-gravidez

http://revistacrescer.globo.com/Gravidez/Saude/noticia/2016/02/colestase-da-gravidez-saiba-o-que-e.html

http://doutissima.com.br/2015/11/06/colestase-saiba-quais-sao-os-sintomas-e-como-diagnosticar-14749810/

http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/01/meconio-e-sinal-de-sofrimento-fetal

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