Quando as crianças adquirem a noção de tempo?

relogio

Crianças pequenas não sabem esperar. Bebês, então, nem se fala! A mãe quer terminar o almoço e o pequeno está berrando por atenção. Daí a mãe diz: Espera um pouquinho, daqui a pouco a mamãe vai. E o guri, sem entender nada, chora mais alto ainda, afinal de contas, quem é esse tal de daqui a pouco?

Pois é. A paciência é uma virtude que não faz parte das fofurices dos pequenos. No entanto, há quem diga:

— Essa criança não sabe esperar!

Ora, claro que não sabe. A espera requer um conhecimento do que é o tempo. Algo que nos primeiros anos ainda não E-X-I-S-T-E.

É sobre isso que vou falar hoje.

Bebês são seres imediatistas. Até uns dois anos eles só pensam no aqui e agora. Vivem o presente. Baseiam-se no mundo interno deles, que é feito de sensações, sentimentos, impulsos. O bebê de três meses, por exemplo, acha que a mãe desapareceu da face da Terra quando ela o deixa sozinho no berço (e vocês não entendem por que ele abre aquele berreiro como se o mundo fosse acabar? Pois é, esse sentimento de maẽ sumindo para sempre é devastador para qualquer um, que dirá para um bebê?).

Apenas com uns dez meses, quando ele começa a se locomover, vai adquirindo uma rudimentar noção de espaço, algo imprescindível para o entendimento da noção de tempo. Afinal a locomoção acontece em um intervalo de tempo. Nós nos movimentamos e o tempo passa. Etc, etc, etc. (Vou parar por aqui porque o Einstein que há em mim está com vergonha dessa explicação chucra). Além disso, ele vai “sacando” a rotina, essa marota: Mãe, vai. Mãe, volta, Mãe, vai, Mãe, volta.

Pois bem, somente aos dois anos, aproximadamente, a criança passa a “representar” o mundo. Entra a linda fase do faz-de-conta. É quando o abstrato passa a existir com mais força. Quando abre-se o caminho para que ela entenda, dali alguns anos, essa grande abstração que é o tempo.

Sim. O tempo é uma coisa muito louca! Você já parou para pensar que essa coisa de calendário, ontem, hoje e amanhã é uma construção humana e algum cientista pode, daqui uns anos, descobrir que isso não tem nada a ver? Até hoje cientistas se debatem para explicar o que é  o tempo, por ele ser essa coisa muito fluida e relativa (sai daqui, Einstein! Lá vem você de novo!). Para as crianças dominarem essa arte de entender o que é amanhã, daqui um mês e tudo mais precisam entender plenamente esse universo representativo que nós criamos.

caixa

Isso não é uma caixa!

E sabe quando isso acontece?

Por volta dos cinco anos! Sim. Cinco anos! Juro para vocês que eu achei que era antes. Que criança de três anos já era mestre nessa capacidade, mas nada. O que acontece é que a partir dos dois anos os pequenos começam a entender que as coisas acontecem em ciclos: tem uma parte do dia que ele acorda, toma café, vai para a escola, volta para casa, brinca, dorme. Assim eles vão adquirindo essa malemolência de saber que existe uma sequência de acontecimentos que se repetem (também por isso a rotina é importantíssima para elas). Com o tempo (aha, duplo sentido!), as crianças vão entendendo que existe também uma sequência de dias, que ontem já passou e amanhã não aconteceu, e por aí vai.

Um outro importante fato a ser lembrado, muito bem falado e pesquisado por nosso querido Piaget (clica aqui para saber mais sobre esse moço), é que as crianças vão adquirindo essa noção de espaço-tempo, conforme vão deixando para trás a fase “egocêntrica”. Nos primeiros anos, tudo para elas gira em torno dos próprios desejos (tem adulto que é eterna criança, né, não? Feliz Dia das Crianças para você, adulto, que não superou essa fase auto-centrada…kkk). Pois bem, elas pensam coisas como: “vou comer o sorvete bem devagar para ele durar mais”, achando que a ação delas vai influenciar na quantidade de sorvete que tem para comer. Tudo gira em torno do “eu”. Conforme a criança começa a entender que existem outros pontos de vida, ela volta seu olhar para o mundo: está feita a mágica! O sorvete não dura mais se comer devagar, que chato! O tempo não é algo só meu, é de todos! Existe uma construção humana por trás, muito anterior ao meu nascimento (Einstein já pensava assim, acho, com dois anos).

Bom, expliquei. E para deixar mais explicadinho ainda vou criar um padrão bem legal nesse humilde blog: vou referenciar minhas pesquisas, detalhando link por link as fontes (sempre confiáveis) que usei para esse post. Claro que vou fazer isso somente nesses posts mais “científicos”, os outros são fontes familiares, tipo eu e a Valentina.

Por hoje é isso. Espero que tenham gostado. E viva o tempo (que segue passando)!!

 

FONTES:

https://www.ucs.br/etc/revistas/index.php/conjectura/article/viewFile/181/172

http://acervo.novaescola.org.br/formacao/quando-aluno-ajusta-ponteiros-497827.shtml

https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/a-representacao-do-mundo-na-crianca-piaget/

http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/24235/piaget-e-a-nocao-de-tempo

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI19074-15134,00.html

 

 

 

 

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