A Birra: Saiba mais sobre ela e aprenda como lidar

Criança chorando

Imagine que você está há dias querendo ver um filme no cinema. Chega o dia. Você se arruma e vai feliz da vida assistir a produção. No entanto, ao entrar na sala, filme começando, chega alguém e diz: Perdão, mas você vai ter que sair.

Ou

Você conquista o emprego dos sonhos. Salário de 1 milhão, três horas de trabalho por semana (rsrsrs), localização pertinho da sua casa ou então em casa mesmo (home office, amo você), um trilhão de benefícios, colegas super interessantes e descolados. Mas, eis que você mal começou a exercer sua função, chega um superior e fala: Me desculpa dar a má notícia, mas você foi demitido.

Nessas duas situações, o que você faria? Na primeira talvez se contivesse um pouco, daqui a pouco o filme vai para o Netflix mesmo, mas claro que ia ficar com aquele gostinho de frustração. Já na segunda, provavelmente, você vai chorar no seu quarto, que é lugar quente.

Frustrações fazem parte da vida. Aprendemos a lidar com elas, bem ou mal, dependendo da educação que recebemos. No entanto, não ter aquilo que desejamos é sempre complicado e triste.

Agora, reflita comigo: essa dor de não ter o que deseja é exatamente o que as crianças pequenas sentem, na maioria das vezes, quando fazem aquele lindo espetáculo chamado birra.

Ora, por que estou falando isso? Pois tenho uma filha de 1 ano e meio, que todos que acompanham o blog conhecem e amam, que começou a ensaiar essa linda peça infantil. Confesso, passei por isso poucas vezes e sempre em casa, mas em todas elas o que senti foi uma impotência muito grande e uma vontade de gritar “não sei como faz para ser mãe, não”, juro!

No entanto, lendo aqui e acolá sobre o assunto descobri que existe um conselho para aprender a lidar com esses momentos, chama-se: empatia.

Peraí, estou me adiantando.

Antes, vamos fazer um resgate histórico da epopeia da birra.

Crianças de 1 ano e meio a 4 anos, mais ou menos, estão aprendendo a ser pessoas separadas de suas mamães, com vontades, desejos, querendo existir no mundo. Além disso, elas lidam o tempo todo com um mundão de novos conhecimentos e habilidades, grande parte delas, que eles não entendem muito bem ainda, mas fazem, como a linguagem. Pois então, vamos fazer essa receita: junte um punhado de necessidade de autonomia dos pimpolhos, acrescente a importante fase de se opor aos pais para sentirem-se diferentes, que alguns chamam de adolescência do bebê, misture com um cérebro hiperestimulado, aprendendo o tempo todo um monte de coisas e coloque uma criança linda que ainda não sabe se expressar, mas sente as coisas com uma emergência que só elas: pronto! Está assado o bolo da birra.

Choro

Não quero esse bolo, não!!

Crianças não sabem lidar com as pequenas frustrações que elas enfrentam todos os dias: é a tomada que não pode mexer, é o brinquedo que tem que guardar, é a estante que tem que descer (Ei, Valentina!), enfim, muitas coisas que para elas são legais, mas que os adultos não as deixam fazer, sem que elas entendam por quê. Daí, como elas não conseguem falar: “Pondere, minha mãe, se é mesmo necessário eu guardar esse ursinho agora!”, acabam chorando, gritando, se jogando no chão, por estarem sentindo uma avalanche de emoções misturadas e não conseguirem verbalizar isso.

Ao contrário do que prega uma parte da pessoas, birras não são produtos de crianças malévolas, saídas dos contos de terror para assustar os pais inocentes. Birras fazem parte do desenvolvimento normal das crianças. Com o tempo, as birras diminuem, pois as crianças aprendem que dá para agir de outras formas e que nem sempre elas vão conseguir o que querem.

Porém para chegar nessa linda conclusão que fará de cada uma delas adultos emocionalmente saudáveis, poupando as outras pessoas de terem que lidar com gente imatura e mimada, que esqueceu de passar de fase, elas precisam da intermediação dos pais, claro. E essa intermediação tem que ser feita com empatia. Ficar bravo também, bater (pelo amor de Deus, não), ser autoritário só vai gerar na criança mais frustração e fazer ela repetir esses modelos. Tente entender o que a criança quer e coloque-se no lugar dela. Pense no que ela está sentindo.

Esse é o conselho mais importante. O que segue abaixo não são propriamente dicas, já que como disse no post anterior, cada pequeno é único, e cada família encontra sua forma de lidar com tudo, mas são toques baseados no que li e no que vivi até agora. Espero que ajude a vocês e a mim também, claro (hahaha).

Como disse, estou no início da fase da birra, talvez daqui um ano, eu esteja expert no assunto e dê dicas bem mais eficazes, sei lá. Mas, por ora, acho válido. Pois considero que há muitas mães perdidas como eu, que só querem uma troca de experiências e expertises sobre o tema, que não envolva chorar escondidas no banheiro (quem nunca).

Mulher chorando

Como lidar com as birras

1 – Primeiro, não ceda. Sim, é chato, desgastante e você odeia a humanidade nessa hora, mas fazer o que seu filho quer só para ele parar com aquilo só vai confirmar na cabeça dele a ideia de que é esse o caminho para conseguir as coisas com você. As birras vão ficar cada vez mais frequentes e seu lindo bebê vai crescer chato e mimado. Certeza que você não quer isso.

2 – Pondere o que ele está reivindicado, antes de dar o fatídico não. Eu adoro dizer para as mães “não gastarem o não”, pois acredito que isso é muito verdade. O não pelo não é ineficaz. A criança, com o tempo, começa a ignorar, já que aquela palavra é quase como o oxigênio que a mãe respira. Deixe o não para os momentos que importam mesmo, que envolvam riscos de segurança, etc.

3 – Evite situações que possam gerar a birra. No meu caso, já sei que têm coisas que a Valentina gosta de fazer (como subir nas coisas, por exemplo), que, se eu deixar, mesmo que por segundos, só vão dar nela aquele gostinho de quero mais. A última birra foi assim. Por isso, estou aprendendo a não deixar nunca para ela aprender que não pode mesmo. No entanto, eu também estou aprendendo, ainda naquela fase de tentativa e erro, sabe?

4 – Se conseguir, distraia a criança com outra coisa, antes do mecanismo da birra ser ativado. Digo antes, pois depois do descontrole, esquece. Ela vai jogar tudo no chão, vai gritar, vai espernear, mesmo quando você mostrar, sei lá, o Pokemón de estimação dela.

5 – Uma vez instalada a birra, há duas formas: deixar a criança fazendo o show e ignorar, naquele momento, ou pegar a criança e abraçar fortemente até ela acalmar. No meu caso, já tentei as duas coisas, e nenhuma deu certo assim, imediatamente. A primeira, eu mal consegui fazer, pois na idade que a Valentina está sei que ela ainda não consegue se controlar sozinha. Por isso, dói meu coração deixá-la sozinha. A segunda é a que tenho feito, misturada com andar pela casa, tentando acalmá-la. Com o tempo, cada mãe aprende a lidar da sua forma. Eu ainda estou testando o que funciona comigo, mas acho que a segunda opção ainda é melhor, por ora.

6 – No meio da birra, nem adianta falar, explicar, argumentar. Como qualquer pessoa com raiva, o momento ali é de irracionalidade. Não há palavras para fazer o indivíduo acalmar. Nesse caso, o melhor é o silêncio mesmo.

7 – Vi nesse site aqui uma ideia legal de levar a criança para um lugar meio vazio, meio neutro, e ficar com ela ali, quietinha, por alguns minutos, até ela acalmar. Talvez funcione, quando a criança já está um pouco maiorzinha.

8 – Ensine a criança a nomear o que está sentindo. Explique para ela que aquilo que ela está sentindo é raiva, frustração, que você entende, mas não pode deixar ela fazer determinada coisa por esse ou aquele motivo. Isso é bom para a criança ter repertório emocional e não ficar tão perdida quando acontecerem tsunamis desse tipo.

9 – Criança com fome e sono, cansada, hiperestimulada é chata mesmo. Isso é totalmente aceitável e os pais devem, sempre que possível, evitar que elas cheguem nesse ponto. Assim, hora de dormir é sagrada. Tenha rotina, horários, mais ou menos fixos, e perceba no seu filho se ele está dando algum sinal desse tipo.

Bom, por último, vou deixar o link de uma série que a Crescer fez sobre birra. Está bem legal, tem bastante coisa.

Ah, sabe qual a notícia boa de tudo isso: Birras PASSAM!!! E você vai ficando mais forte, mais guerreira, mais mulher fiel que não foge da luta.

 

 

 

 

 

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2 comentários sobre “A Birra: Saiba mais sobre ela e aprenda como lidar

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