Post polêmico do dia: não grite com seu filho!

 

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A primeira vez que eu gritei com a Valentina ela devia ter uns oito meses, mais ou menos. Lembro que eu estava extremamente cansada, esgotada mesmo, e que me senti muito mal, segundos depois do grito. Ela me olhou assustada e chorou, claro. Naquele momento, eu era a péssima mãe, sem controle, despreparada. 

Não foi nesse dia que decidi que eu não seria uma mãe autoritária, fria e sobrecarregada. Desde que a Valentina nasceu, descobri que a criação com apego – que nada mais é do que criar um filho com empatia – tinha muito a ver com os meus princípios e com minha forma de maternagem. No entanto, não ceder aos impulsos é um exercício contínuo, e educar uma criança é um trabalho hercúleo. 

Por que estou dizendo tudo isso? 

Dia desses, pesquisando para esse post que vos fala vi uma matéria muito interessante mostrando por que gritar com os filhos pode ser extremamente prejudicial para o desenvolvimento emocional deles. O texto é de uma psicóloga e é dos melhores que li sobre o assunto (claro que vou dar link! Está aqui, meus amores). Mas o que mais me chamou atenção, não estava no texto, mas nos comentários. 

Enquanto a especialista explicava, didaticamente, por que gritar é nocivo e não funciona, as pessoas nos comentários diziam coisas como: 

— Mas hoje em dia não se pode fazer nada com os filhos! Tudo traumatiza. Faz assim mesmo, não grita, que seu filho vai te bater depois!

— Eu fui criada com muito rigor e não morri por isso. Muito exagero!

— Isso! Deixa os filhos fazerem o que quiserem. É por isso que hoje em dia esses jovens são tão mal educados, acham que podem tudo.

— Já estou perdida com tantos conselhos diferentes. Fica difícil assim, viu?

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Pausa para pensar na humanidade…

Evidentemente, os comentários estão resumidos, mas, em suma, as pessoas ficaram muito bravas em saber que gritar com os filhos não é recomendado. Daí fiquei pensando que existe um lugar comum de que autoritarismo faz bem, pois gera filhos obedientes. Que o oposto é a permissividade e que ela cria gente mimada e que queima mendigo na rua. 

Tenho dito já há algum tempo que crianças não são tratadas como pessoa (disse sim! Olha aqui). Que empatia é algo que passa longe quando falamos de educação, de criação. Pois então, vou dizer de novo, pois esse assunto me enerva. Você que é mãe me diga: como se sentiu quando perdeu o controle e gritou com seu filho? Arrisco-me a dizer que você não se sentiu muito bem. Que pensou, dentro do seu coração, que aquela não era a  melhor opção para “corrigir” um comportamento inadequado. Pois então, você sentiu isso, pois faz todo sentido. Não tem nada de errado em sentir-se mal depois de perder o controle. Na verdade, ruim é não sentir nada nessas horas. Posso falar uma coisa sobre gritos: eles não funcionam. 

Parece que dá certo, mas não dá. O que acontece é que os gritos assustam as crianças e elas, evidentemente, deixam de fazer seja lá o que estiverem fazendo de errado por puro medo. É isso o que o grito faz: ele cria a obediência pelo medo. A criança, então, passa a respeitar apenas quando gritam com ela. Aquele passa a ser o limite entre o que pode e o que não pode. Os pais, por sua vez, entram em um círculo vicioso: utilizam-se cada vez  mais do grito para “educar”; com o tempo, os filhos passam a obedecer apenas assim: no grito.

Já existem inúmeros estudos que mostram que gritar com os filhos pode ser tão ruim quanto bater neles. Sim. Ambas são formas de violência, denotam descontrole, mostram na força “quem é que manda”. Por exemplo, um estudo recente feito pela Universidade de Pittsburgo e de Michigan apontou que adolescentes que tinham pais com o costume de gritar apresentavam taxa maior de mau comportamento e depressão. Isso mesmo quando os pais eram amorosos e tinham um vínculo forte com os filhos. Essa pesquisa eu vi no site da Pais e Filhos, mas existem muitos outros. 

Daí você me diz: Mas, de vez em quando, é muito difícil não gritar. Tem momentos em que os filhos descontrolam os pais mesmo.

E eu digo: Eu sei. Também sou mãe.

Mas já notei que todas as vezes que perdi o controle com minha filha estava sempre em uma situação de muita sobrecarga de afazeres, levando sozinha o peso de criar uma criança da melhor forma possível e muito cansada. 

E acho que, normalmente, quando os pais começam a perder o controle com frequência com os filhos devem sempre fazer essa avaliação: como eu estava aquele dia? O que me levou, de fato, a gritar? Como me senti? Como meu filho se sentiu?

Não é fácil, claro! Mas temos que fazer o possível sempre para que a disciplina seja feita de modo a construir laços e não derrubá-los. Claro que a permissividade é negativa, tanto quanto o autoritarismo. No entanto, a ausência do grito não é igual a deixar-a-criança-fazer-o-que-quiser-etc, mas sim o diálogo.

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Reis do diálogo!

Ah, o diálogo. Tão dito (kkk), mas tão pouco praticado. Dialogar é ter empatia, é colocar-se no lugar do outro: você gosta que gritem com você? Como você se sente nessas horas? Como você se sentia quando era criança e gritavam com você? São perguntas válidas, pois os pequenos, além de estarem em plena formação emocional, são mais impressionáveis do que os adultos e tendem a absorver as coisas, tais como aparentam para eles. 

Em uma situação que você perceber que vai te levar ao grito, vale a dica de respirar fundo (sim, funciona! Oxigena o cérebro). Além disso, crianças fazem de tudo para chamar a atenção dos pais, até mesmo comportar-se mal. Nesse caso, não tem jeito: tem que conversar com a criança, perguntar o que está acontecendo e colocá-la como prioridade não só nas finanças e afazeres, mas no momento de lazer também. Crianças precisam brincar, precisam do olhar do pai, mesmo naqueles momentos de ócio. Precisam sentir que são importantes para eles. 

Como disse antes, nós, pais, temos que estudar quais são as situações que levam ao grito. Por exemplo: no meu caso sei que se fico muito sobrecarregada e cansada, fico muito mais suscetível a perder o controle com a Valentina. Por isso, tento manter o máximo de organização na minha rotina para dar conta de tudo e ter um tempo para fazer as coisas que gosto, como ler, assistir séries, atualizar este blog que vos fala (hahaha), ou não fazer nada. Desde que percebi isso, tudo melhorou.

Agradeço muito por contar nos dedos, até agora, quantas foram as vezes que gritei com ela, mas sei que vou entrar em uma fase mais complicada como mãe (videogame, lembra?), já que ela fará dois anos e entrará na adolescência do bebê em breve, mas quando a gente tem uma convicção, isso já é meio caminho andado. Vou continuar tentando, ao máximo, evitar o grito, a agressão verbal como forma de disciplina e exercer cada vez mais a empatia. 

É um exercício diário e trabalhoso. Mas vale muito a pena! 

Recado dado?

Até o próximo post!!

 

 

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