Minha filha tem dermatite atópica (e o que aprendi com isso)

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Assim que a Valentina nasceu, evidentemente, fiquei perdida sobre tudo e percebi que toda e qualquer pesquisa que eu tenha feito, todo conselho e dica que recebi, toda preparação que tentei fazer foram úteis até a página 2.Ninguém se prepara, de verdade, para ser mãe. A gente se mune de conhecimento, tenta pensar como será, mas só quando o bebê passa a existir aqui no mundão é que percebemos que não sabemos de nada. Tudo é muito novo, único e intenso.

Por que estou falando isso?

Ora, eu pesquisei muito sobre como cuidar da pele do bebê. Sabia que a pele do recém-nascido era bem diferente da nossa, que necessitava de delicadeza, produtos específicos, cuidado com temperatura, vestuário, e etc. Fiz tudo isso. Mas, aos quatro meses, mais ou menos, percebi que não tinha visto que bebês também podem ter problemas de pele, como a dermatite atópica, por exemplo. Pois então: minha filha tem (essa fofura aí no início do post é ela, no ápice da crise). Por isso vou contar um pouquinho como foi que descobri, como foi o processo todo, como está hoje e quais dicas tenho para passar para quem também tem um filho com dermatite.

A descoberta

Até os quatro meses a pele da Valentina era igual a de todo bebê: fina, lisinha, delicada. No entanto, a partir desse período notei que o pescoço dela começou a ficar cheio de bolinhas, vermelho. Essa irritação, com algumas semanas, começou a atingir o tronco dela também, o queixo e as bochechas. Eu pensei que era brotoeja ou alguma alergia de contato. Vale ressaltar que, até então, eu só dava banho morninho nela, com sabonete de glicerina e mais nada. Além disso, lavava as roupas dela com sabão de coco. Procurei comprar roupas de algodão, já pensando no potencial alérgico da pele de um bebê novinho em folha.

Enfim, eu tentei entender o que estava causando aquela irritação e nada. O primeiro pediatra que fui disse que era dermatite, receitou uma pomada (Hidrocortisona) e só. Passei a tal da pomada e nada de melhora. Como ele não disse que dermatite era e eu não voltei mais lá, pois o detestei (kkk), ficou por isso mesmo. Foi nesse período que a Valentina aprendeu a se coçar, então já viu. Machucou a pele e ficava naquela agonia. Em outra consulta, com outro especialista, um novo diagnóstico: como a irritação acabou causando umas feridinhas no tronco dela, suspeitou-se de micose. Passei a nova pomada e a pele dela piorou. Tentei tratamento caseiro com maisena, e também não adiantou. Enquanto isso, ela vivia se coçando. Dormia mal.

Lembro de um dia que ela entrou em crise alérgica, após outro pediatra (sim, foram vários) receitar uma pomada chamada Tarfic. Esse médico diagnosticou a dermatite atópica, mas o tratamento que ele passou deu pouco resultado. Como disse, a pomada irritou muito mais a pele dela. E no primeiro dia de tratamento, o remédio deu uma coceira louca nela. Tanto que ela chorava e queria coçar de todo jeito. Foi nesse dia que o pai dela sugeriu colocar um babador por baixo da roupa para ela não conseguir coçar. A solução acabou sendo muito útil. Ela ficou bastante tempo usando o babador.

Valentina 5

Babador Solution

Os dias foram passando e eu fui me chateando com o fato de que minha bebê estava perdendo qualidade de vida por causa da coceira. Foi quando resolvi passar em um dermatologista infantil, alguém que fosse certeiro, eficiente (e que gostasse e tratasse bem minha filha. É o mínimo que se espera de quem trabalha com crianças).

Pesquisa daqui, pesquisa dali. Cheguei na Dra. Eloísa Zampieri. Um amor de médica. Daquelas que explicam direitinho, que olham o paciente com carinho, que tem paciência. Enfim, adorei. Foi ela que verdadeiramente ajudou no tratamento da Valentina. Ela confirmou o diagnóstico: Dermatite Atópica.

O que é dermatite atópica?

É uma doença crônica de caráter inflamatório. Isso significa que quem tem dermatite atópica, provavelmente, vai ter que lidar com a doença a vida toda. Não tem jeito. No entanto, cerca de 60% das crianças apresentam uma melhora ou desaparecimento da doença até a adolescência (dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia).

Normalmente, a doença tem picos de crise e um período de calmaria, leigamente falando (kkk). Nas crises, a pele costuma coçar MUITO, pois o ressecamento e o caráter irritativo da pele causam essa comichão, que pode ser intensa, nas fases mais críticas. A pele de quem tem dermatite atópica perde a umidade mais rápido. Por isso a hidratação é essencial e deve ser realizada TODOS OS DIAS com hidratantes específicos para esse tipo de pele. Além disso, é necessário investigar quais são os fatores desencadeantes do processo alérgico. Poeira, produtos químicos, estresse, temperaturas extremas e suor são os mais comuns. No caso da Valentina, o exame feito pelo alergista mostrou uma sensibilidade maior à poeira. Então já viu: a casa tem que estar sempre limpinha. Não tem jeito. Além disso, nada de carpetes, muitas cortinas e bichos de pelúcia.

O processo

Como disse lá no alto, a Dra. Eloísa foi ótima. Me passou uma série de recomendações para que uma nova crise alérgica não se instalasse. Eu já havia pesquisado sobre dermatite atópica, pois já havia recebido o diagnóstico daquele outro médico que mencionei. Alguma coisa eu já sabia. Mas ela foi bastante precisa no tratamento que passou: corticoide para tratar as lesões mais graves e MUITA hidratação (uso na Valentina até hoje o Nutratopic). Além disso, nada de banhos quentes e demorados, roupa só de algodão, sabonete branco (até o de glicerina acaba ressecando). Iniciei o tratamento e, em dias, a minha filha melhorou.

Além disso, a Dra. Eloísa recomendou um alergista. Passei em um que receitou uma vacina oral para administrar por 4 meses. Disse que depois disso eu podia ficar mais tranquila, pois estaria fortalecendo o sistema imunológico da Valentina. Realmente, senti uma melhora. Esse tratamento já acabou, no entanto, ainda não sei bem se existirá uma continuidade ou se é isso mesmo. Pelo que ele me disse lá atrás é isso mesmo e mais nada. Mas acho estranho uma doença crônica ser tratada só assim. Vou perguntar de novo (rsrsrs. #maechata).

E hoje?

Desde o tratamento com corticoide, hidratação, mudança de hábitos e vacina, a pele da Valentina melhorou muito, Na época das crises agudas, a pele dela era tão seca que parecia uma lixa (juro). Hoje está lisinha de novo. Tenho mantido a hidratação diária e nunca mais precisei usar corticoide. No entanto, com esse frio que fez, a pele dela ficou com uns pontos mais ressecados e ela desenvolveu uma lesão na dobra do braço (as dobras são as áreas mais propícias, no caso das crianças maiores de 1 ano). Credito isso aos banhos mais quentes (tinha dias que sem condições de tomar banho morno naquele frio polar) e a temperatura também (o frio resseca a pele de todo mundo mesmo).

No entanto, tenho hidratado bastante e até agora, nada de corticoides. Se a lesão não melhorar, volto na Dra. Eloísa. Não tem muito o que fazer. Mas, nesse tempo de vida pós-dermatite atópica, aprendi algumas coisas que gostaria de repassar para quem tem filhos ou conhece alguém que tenha a doença.

Dicas para minimizar os efeitos da Dermatite Atópica:

— Hidrate a pele várias vezes ao dia. Essa é a grande chave do tratamento da dermatite atópica. A hidratação constante impede a secura da pele, causadora da coceira característica da doença;

— O hidratante deve ser passado com a pele úmida, nos três minutos pós-banho. Dessa forma, a hidratação penetra mais profundamente;

— Sabonete tem que ser neutro, sem cheiro e deve ser passado com bastante cautela, apenas em um dos banhos (caso tome mais de um), e sem esfregar;

— Todo produto passado na pele atópica deve ser específico para esse tipo de pele. Qualquer outro pode irritar e piorar ainda mais a pele;

— Nada de produtos muitos químicos na lavagem das roupas. Prefira o sabão de coco ou enxague muito bem as peças;

— Mantenha o ambiente limpo e arejado, tendo em vista que a poeira e os ácaros são fatores desencadeantes;

— Escolha roupas de algodão e evite tecidos sintéticos que impedem a pele de respirar;

— Mantenha sempre a paz e serenidade no coraçãozinho, já que o estresse também pode desencadear a doença;

— Notou coceira excessiva, pele ressecada e lesões avermelhadas, consulte um dermatologista e alergista para fazer o diagnóstico correto. A dermatite atópica, se tratada no início da crise, não progride para lesões mais sérias, que podem, inclusive, infeccionar;

— Mantenha as unhas cortadas para evitar que o coça-coça lesione ainda mais a pele;

— Descubra os fatores desencadeantes para saber qual o “inimigo” que você vai ter que combater. Ajuda muito acompanhar, durante as crises, o que originou aquilo anteriormente.

Bom, é isso. Vou deixar dois links da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Fundação para Dermatite Atópica. Ambos trazem muitas orientações sobre a doença.

Espero que tenham gostado!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2 comentários sobre “Minha filha tem dermatite atópica (e o que aprendi com isso)

  1. Ivaneti disse:

    Boa tarde, meu neto se coca muito , curtamos a alimentação toda e estamos inserindo , mas nada adianta , ele da uma amenizada mas a coceira não passa e as feridas não … não sabemos q fazer mais .. tirou glúten, ovovivípara leite , soja , carne e ele está só comendo legumes arroz e nem come feijão mais … agora a nutricionista falou q e a banana e o feijão , agora falou q a piora pode ser do coco, banana e feijão … bom , desesperadas não sabemos mãos q fazer

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    • Cíntia Ferreira disse:

      Oi, Ivaneti! Recomendo que você procure um alergista, pois somente ele poderá fazer uma avaliação completa da causa dessa coceira. Eu só descobri que minha filha estava com dermatite quando fui no dermatologista e alergista. Se você morar em SP, tenho um alergista ótimo para indicar.
      No caso da dermatite atópica, o que li a respeito é que a alimentação tem pouca influência, normalmente há um forte impacto genético e ambiental.

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