Por que você deve assistir “O Começo da Vida”

MÃE

Cartaz de divulgação do filme

Eu assisti “O Começo da Vida” há pouco tempo. Eu estava lá zapeando o Netflix quando me deparei com esse título. Pensei: “Vou ver isso daí!”. E foi o que fiz. Durante três dias. Calma, esse não é o documentário mais longo da face da Terra, é que eu costumo assistir minhas coisas à noite, hora que a Valentina já foi dormir. Daí que vez ou outra (quase sempre) ela acorda umas duas horas depois, por volta das 22h. Por isso, tive que interromper a exibição do documentário algumas vezes. Mas consegui assisti-lo e tenho que contar algo para vocês: todo mundo deveria ver esse filme. Para quem pensa que serão duas horas falando de bebês e crianças, já adianto: esse documentário é uma aula de crença na humanidade. Uma ode à infância. Um acalanto aos pais.

Há vários aspectos passíveis de observação no “O Começo da Vida”, mas vou me atentar à síntese acima porque sou sucinta e objetiva (#sqn).

Por que “O Começo da Vida é uma aula de crença na humanidade

“O homem investe em pesquisas, vai à Marte, vai à Lua, mas não pensa no desenvolvimento da criança. Em como isso pode fazer diferença no futuro da humanidade”. Essa é uma citação não literal de uma das “vozes” do filme. Como todo bom documentário, tem bastante gente falando sobre o assunto. E uma dessas interlocutoras diz mais ou menos isso, que falta investimento nas nossas crianças. Depois que virei mãe, passei a ter certeza de que é na primeira infância que o ser humano monta os alicerces do que vai ser. Falei um pouco disso no Post Um mundo melhor é feito de pessoas melhores. Queremos que a humanidade melhore, evolua, mas não reparamos e não fazemos nada pelas nossas crianças. Que tipo de base alguém pode ter quando foi negligenciada, desmerecida, abandonada, ignorada? Tem um outro especialista no filme (Rafi Cavoukian) que fala exatamente isso: “Se mudarmos o começo da história, mudamos a história toda”.

Em algumas situações, vi similaridade com um outro filme lindo, lindo “A Árvore da Vida”. Em ambos, a um enfoque na beleza da troca entre adultos e crianças, nessa rotina do “cuidar”. Há, por exemplo, aquelas cenas lindas de crianças brincando com suas mães, das mães mostrando o mundo para os filhos, da criança descobrindo as coisas pela primeira vez. Muitas vezes, a gente esquece que crianças pensam com o coração, que são muito mais empáticas e inteligentes emocionalmente do que os adultos. Se nos primeiros anos, as pessoas suprissem melhor as necessidades de afeto dos pequenos, não teríamos esse monte de gente desajustada, infeliz e egoísta. Tenho certeza disso.

Por que “O Começo da Vida” é uma ode à Infância

Crianças ensinam o tempo todo. Só que poucas são as pessoas dispostas a parar e escutar o que elas querem dizer. Falei um pouco disso também no post Crianças precisam de atenção. No documentário tem um outro especialista que fala que criança sente empatia com tudo: pessoas, plantas, bichos, objetos. Tudo para elas têm alma. Além disso, elas estão sempre se encantando com o mundo. O que para nós é algo simples e trivial, como uma gotinha de chuva na janela,  por exemplo, para elas é algo admirável. Acho que falta isso nas pessoas também: o poder de parar e se encantar com a vida. Esse é um dos muitos ensinamentos das crianças.

A primeira infância é a melhor época das nossas vidas também por isso. Além de ser ali que o alicerce de cada um será construído, é também ali que acontecem as trocas mais verdadeiras. Criança sabe amar. Não tem rancor. Não tem egoísmo. Criança prioriza o que é essencial para nossa felicidade: as relações humanas. Criança é alegre. Criança não liga para posses, títulos, coisas. Temos muito a aprender com elas. Seríamos melhores se fôssemos mais autênticos, assim como elas são.

Por que “O Começo da Vida” é um acalanto aos pais

Cuidar de um outro ser humano, ainda mais alguém que acabou de nascer, é das tarefas mais difíceis que uma pessoa pode exercer. É desafio o tempo todo. É exaustivo. Todos que passam por isso sempre se questionam se estão fazendo o certo. Isso por que ninguém quer criar um adulto que vai tacar fogo em mendigo, desviar verba de merenda das crianças, mentir e enganar a rodo só para conseguir o que quer. Todo mundo, em sã consciência, quer criar um adulto digno. Todo pai quer que o filho seja feliz. No entanto, por que tem tanta gente desonesta, infeliz, má mesmo? Penso que esse abandono na primeira infância não é só dos pais para com a criança, é também dos pais consigo mesma. Canso de ver gente que só reclama que o filho não dorme, que só faz birra. Ouço muitos pais xingando os filhos dos piores nomes só por que, sei lá, o pequeno quer pular na poça de água.

É muito complicado julgar o outro, eu sei. Mas é difícil para todo mundo criar filhos: seja para o casal, para a mãe solteira (presente!), para o pai solteiro, para o avô ou avó, enfim, são várias as dinâmicas de família. No entanto, para a criança o que importa é que aquela pessoa que cuida dela dê esse afeto que ela precisa, atenção e esteja feliz. Essas coisas são essenciais para uma boa troca afetiva, e isso só é possível se o coração estiver em paz com a certeza de que sim, vai dar trabalho criar filho, mas vai ser a sua grande diferença nesse mundo: deixar um ser humano feliz, ético e que vai trilhar um caminho de felicidade na vida dele e na dos outros.

Por esse motivo é que é tão importante que os pais sejam amparados nesses primeiros anos da criança. Eles precisam ter tempo para o filho. Precisam ter paz no coração para exercer uma boa maternidade/paternidade. Precisam ter menos cobranças do mundo corporativo (que até hoje não reconhece mãe e pai como pessoa, vamos combinar?). Se houvesse mais gente pensando como o Dr. James J. Heckman – que aparece no documentário – o mundo certamente seria outro. Ele diz “O amor materno é uma parte importante da economia e não é totalmente reconhecido pela humanidade”. Pois é. Não é nada reconhecido.

Bom, convido todos vocês a assistirem esse documentário maravilhoso. Tem no cinema, tem no Netflix, tem o site do filme também. Por favor, esse filme é questão de compromisso com a humanidade. Uma reflexão essencial sobre relações humanas, ainda mais nos dias de hoje.

Depois me contem o que acharam. Bjs.

 

 

 

 

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