Ser mãe te faz feliz?

Mãe e Filho

Responda rápido: você gosta de ser mãe? Até um tempo atrás parece que ninguém conhecia essa pergunta. Porém, com os acontecimentos recentes envolvendo essa palavra grande e pesadona que é maternidade, parece que a questão ganhou importância (não sabe do que estou falando, clica aqui, mas volta para mim depois).

A moça lá no Face disse que não, não gostava. E isso incomodou as pessoas. Abriu-se uma discussão a respeito do tema e centenas de mães lutaram UFC virtual nas redes sociais. Entrou pai na história também, inclusive posts relacionados a pais ausentes e tudo mais. Enfim, esse é o fato noticioso. Daqui a pouco acaba e todo mundo esquece tudo. Vai viver a vida e bola para frente, galera, que ano que vem tem mais.

Mas o que fica dessa história toda é que a pergunta que fiz no começo do post passou a ser uma constante na vida das mamães. Minha opinião é que lá atrás, há algumas décadas, a maternidade era um ato passivo: “Ok, sou mãe. Deixa eu ir lá cuidar do meu filho!”. No entanto com a conquista de uma certa independência da mulher, o maior acesso à informação, advento das redes sociais e o crescimento do feminismo, a mãe passou a ser uma figura que questiona: “Ok. Sou mãe. Vem cá, precisamos conversar sobre isso!”. E essa mudança na forma de encarar a maternidade tende a ser positiva, porém, todavia, no entanto, é necessário olhar “reparando”, como o José Saramago ensina em “Ensaio sobre a Cegueira”.

Repara comigo: o que mudou na sua vida desde que seu baby chegou?

Tudo, não é mesmo?

Saiu de cena a mulher que ia para lá e para cá sozinha, que tinha tempo para sair com as amigas, que perdia horas cuidando de si mesma, que lia deitadona no sofá e tudo bem, que assistia séries em maratona sem pensar no amanhã, que podia chegar do trabalho e desligar de tudo, que citava o pronome “eu” mais vezes por dia e entrou em cena a mãe atarefada, que espera o bebê dormir para cuidar da casa ou de si mesma (nunca as duas coisas porque não dá tempo), que sabe de cor TODAS as musiquinhas da Galinha Pintadinha, que acumula uma pilha de livros que ainda não teve tempo de ler, que acorda sempre muito cedo, pois todo mundo sabe que criança madruga, que passou a fazer da palavra “nós” uma constante na vida. 

Mudou tudo, porque é assim que tem ser. Ter um filho é um grande acontecimento e todos os grandes acontecimentos mudam nossa vida, mudam a gente. Mas essa mudança foi feliz para você?

Mãe e Filho

Eu tô de boa! E olha que esse meu bebê não é dos mais bem humorados…

Laura Gutman (sim, lá vou eu citar minha popstar) diz em “Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra” que o ato de ser mãe abre a alma da mulher. E isso ajuda a explicar aquela gama de sentimentos inclassificáveis e contraditórios que sentimos, principalmente no início. E todas essas manifestações encontram eco no comportamento do bebê, que é como um espelho da mãe. Muitas vezes problemas de amamentação, sono, choro estão diretamente relacionados aos sentimentos maternos. Só que as pessoas pensam que aquele período simbiótico da gestação acaba ali no parto. Mas não acaba. 

Bom, o livro é ótimo. Recomendo muito. Mas o que quero resumir com essa citação é que a maternidade vai ser para você aquilo que você quiser que ela seja. Se você a encarar como uma experiência de autoconhecimento e completude, possivelmente vai ser mais feliz como mãe; agora se você encarar como uma responsabilidade sem tamanho, uma morte daquela vida de antes, que era, aparentemente, mais livre e mais individual, vai quase sempre entender a maternidade como um peso difícil de ser carregado, e possivelmente vai ser infeliz com ela.

Quero abrir um parêntese importante. Já disse isso em outro post, mas só para lembrar: depois do parto, é comum que a mulher experimente uma certa tristeza, além da questão hormonal, há essa abertura de alma citada por Laura. A mulher entra em uma espécie de erupção com o parto e partes pequenas dela vão indo embora para nunca mais voltar, enquanto ela vivencia um renascimento, com essa reformulação interna que ela será obrigada a fazer. Não é fácil para ninguém. O autoconhecimento não é coisa fácil. Por isso muita gente prefere passar a vida olhando para fora, para os outros. Olhar para si e se conhecer é um processo que pode ser muito doloroso mesmo.

Mas, vou contar uma coisa pessoal aqui para vocês, eu, como mãe de uma menina de 1 ano e 1 mês sou feliz com a maternidade. Passei pela tristeza, pelo luto de deixar morrer aquela menina de antes, pelo medo do que estava por vir e se iria dar conta de tudo. Passo pelo cansaço, pelo reconhecimento de mim mesma, pelo medo do que está por vir. Mas, no geral, sou uma pessoa muito melhor do que antes. E muito mais feliz. E olha que não sirvo, em absoluto, para ser mãe comercial de Margarina, e nem quero (já viram comercial desses com uma mãe solteira? Não né). Sou mais feliz porque escolhi enxergar a maternidade como esse processo de autoconhecimento e também porque tenho uma criança linda que me ensina a renascer todos os dias. 

Enfim, meu recado será dado pela genialidade do Machado de Assis, pois acho que já falei demais. 

“Vida diferente não quer dizer vida pior. É outra coisa.” (Dom Casmurro)

Sintam-se abraçadas. Estamos aí!!

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6 comentários sobre “Ser mãe te faz feliz?

  1. Bianca disse:

    Eu tenho um filho de 1 ano e 1 mês também, e quando eu li o relato daquela mãe (do facebook) eu senti vontade de abraçá-la. Sério. Queria poder dizer a ela que aquela loucura toda vai passar e ela ainda vai sentir prazer em ser mãe. Quando meu bebê tinha 1/2 meses se alguém me fizesse um desafio como fizeram a ela talvez eu responderia com mais algumas coisas além do que ela já disse. Incluiria que visitas são um saco (perdão pela expressão) e as pessoas deveriam se reservar o direito de permanecer em suas próprias residências. Eu mal conseguia pensar de sono, ainda queriam ficar o dia inteiro conversando comigo, haja saco (perdão novamente). Enfim, o que eu quero dizer é que os 1’s dois meses é uma loucura mesmo. Talvez agora as coisas não mudem tanto, mas nos tornamos mais fortes, sabemos que tudo são fazes e graças a Deus temos uma paciência infinita que não sei nem da onde vem. As pessoas precisam deixar de serem tão críticas e começarem a ajudar mais, as vezes só o fato de ficar com a boca fechada já ajuda. E isso de ficar postando as maravilhas de ser mãe, sem mostrar toda a dificuldade inicial que passamos só incita mais aquelas loucas que querem engravidar com 14 anos. Não acho pecado nenhum ficar cansada, sentir saudade da vida antiga, de as vezes ter vontade de jogar o filho pela janela (as vezes da mesmo). Pecado para mim é apedrejarem sem se colocarem na pele de nós, mães reais. Parabéns pelo blog, adorei.

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    • Cíntia Ferreira disse:

      Nossa! Amei seu relato. Me senti como você inúmeras vezes. O começo da nossa vida de mãe é uma loucura mesmo. A gente não tem ainda o entendimento claro do que significa, está exausta 24h por dia e as pessoas, muitas vezes, atrapalham, querendo ajudar. Que bom que gostou do Blog. Continue acompanhando, dá para inscrever o e-mail para receber atualizações. Sugestões são bem recebidas e acatadas também:)

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  2. Maria disse:

    Achei muito interessante a matéria,não so o poste mas o blog em si.perfeito,realmente ser mae não e nada fácil n ha cm negar isso,e transformar a maternidade em um mar de rosas neh?nossa são tantos desafios q ate concordo com a mãe do vicente,mas também ha seu lado bom,suas alegrias suas vantagens,parabéns e seguirei seu blog.bjss quero receber seus novos posts via email.

    Curtido por 1 pessoa

    • Cíntia Ferreira disse:

      Que bom que gostou do Blog, Maria. Realmente os desafios são muitos e diários, mas têm momentos que sentimos uma felicidade tão verdadeira, não é?
      Ah! Para receber atualizações, é só cadastrar seu e-mail naquele espacinho que fica na Home Page. Bjs.

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