Mito 4 – Seu bebê deve mamar a cada três horas, viu?

Ursinho relógio PIxabay

Como prometido, esse post será dedicado ao quarto mito envolvendo bebês: amamentação! Ou melhor, a ideia de que dar de mamar é algo que DEVE incluir um relógio: o bebê deve receber leitinho de três em três horas, por cerca de 10 minutos em cada peito. Se ele chorar antes disso ou logo depois não é fome. Deve ser outra coisa: fralda suja, coceira, frio, calor, dor, etc, etc, etc.

Confesso, antes da maternidade,  eu ACREDITEI no absurdo acima. Tanto que durante um curso de gestante, que participei no finzinho da gravidez, quando chegou a parte da amamentação, eu já tinha as respostas certas na cabeça. Já tinha visto antes os macetes de dar de mamar.

Pobre criatura eu era até aquele momento! Não só eu não sabia nada, como o pouco que eu sabia era exatamente o inverso do que eu deveria fazer (confuso?). Hoje, agradeço por ter tido a brilhante ideia de participar desse curso. Ajudou muito nessa questão da amamentação. Desmistifiquei um monte de conceitos. Aprendi um monte. E é por isso que hoje estou aqui para defender que relógio e amamentação não combinam. E também para inserir um conceito que eu NUNCA tinha ouvido até os meus oito meses de gestação: Livre Demanda.

De novo vou citar ele, o meu queridinho de quase todos os posts, o Dr. Carlos Gonzáléz.

Bebê entediado - Pixabay

Lá vem ela com esse pediatra espanhol! Não aguento mais ouvir falar desse homem!

 

Desculpa, minha gente, mas o homem sabe das coisas. É de uma sensibilidade que falta muito hoje na Medicina. Vou citá-lo quantas vezes forem necessárias e vocês vão aprender a amá-lo como eu (brincadeira, amem o pediatra que vocês quiserem, se vocês acharem um melhor..hahaha). O Dr. Carlos González é quem melhor explica o que é livre demanda, na minha imparcial opinião.

Livre demanda, meu povo, é dar de mamar quando o bebê quiser, pelo tempo que ele quiser. Não importa se o neném acabou de mamar e quer voltar para o peito ou se tem, sei lá, quatro horas desde a última vez que mamou. A natureza é sábia (sim, vou bater nessa tecla novamente). O bebê, instintivamente, sabe que precisa do alimento para sobreviver, sabe que precisa engordar. Por isso, é ele quem dita (isso mesmo, ele!) como vai ser cada mamada. Vou explicar melhor.

Quando eu participei do curso de gestante, a palestrante da Amamentação (me desculpa, moça, não lembro seu nome!) falou sobre leite anterior e posterior (do início e do fim da mamada, respectivamente). Ela disse, na época, que o leite do início da mamada continha mais água e o do final continha mais gordura. Por isso deveríamos deixar o bebê esvaziar um peito primeiro para ir para o outro. Para que ele conseguisse ingerir todos os nutrientes que necessita para engordar e crescer. Daí você faz a pergunta que eu fiz:

— Mas como saber quando o neném esvaziou um peito?

— Ora – ela respondeu – não tem bem como saber, por isso, na próxima mamada, você deve oferecer o peito que ele mamou da última vez, para ele terminar de esvaziar, depois parta para o outro, e assim sucessivamente.

Acho eu que essa moça andou tendo umas aulas com o Dr. Carlos González, pois ela parecia o pediatra versão mulher. Tudo era coerente com o que eu li depois (a palestra veio primeiro, o médico eu conheci posteriormente, por meio do Sr. Google). O Dr. Carlos González também fala da quantidade de gordura ingerida em cada mamada e explica que, por isso, a mãe deve prestar atenção no bebê e respeitar a fome dele. O bebê que vai controlar a duração, a frequência da mamada e se ele vai querer mamar em um peito ou nos dois (quer saber mais sobre esse assunto, clica aqui). 

Digo isso por experiência própria, normalmente, o bebê mama somente um por vez, pelo menos foi assim com a Valentina. No entanto, têm dias de mais gula que eles embarcam no mamá dos dois lados. Mas varia, varia muito. Por isso, a livre demanda é essencial.

Cada bebê é único e a fome do bebê de hoje não é a mesma fome de amanhã. Reparem comigo: um dia você acorda e quer comer pizza no café da manhã, daí à tarde você almoça lasanha com refrigerante, come sobremesa, depois no lanche da tarde embarca no brigadeiro e à noite encerra com a pizza que sobrou na geladeira. No outro dia você acorda e toma um iogurte, come uma salada e não janta. Isso aconteceu porque você sentiu remorso por ter comido tanto no dia anterior? Sim, pode ser, mas isso não vem ao caso. O que estou tentando dizer é que a nossa fome não é a mesma sempre. Têm dias mais lights e dias mais hardcore. Pois é. Bebês também são assim!

Bebê comida - Pixabay

Hoje estou light. Só vou comer esse pote de uvas!

Pois então, volto a falar do relógio: como ser preciso com o organismo humano? Como saber que o seu bebê não está com fome, só porque ele mamou há pouco tempo? Não tem outro jeito a não ser deixando o bebê controlar essa parte. E isso só pode ser feito à livre demanda (mais Carlos González falando sobre o assunto nesse link aqui).

Sim. A maioria das mulheres ouviu algum dia que tem que dar de mamar a cada três horas, e blá, blá, blá. Mas isso só foi repassado e virou “Receita de amamentação – Modo de fazer” porque os pediatras, no início do Século XX, começaram a querer controlar esse processo ao invés de deixar aos cuidados da mãe/filho. Pois, até então, era tudo livre demanda, sem questionamentos. Essa ideia de querer cronometrar o tempo que o bebê passa mamando é péssima para o bebê, não é à toa que tantos enfrentam problemas para engordar, crescer, choram mais do que o normal, enfim.

Deixemos a natureza ditar o  ritmo dela! Posso dizer agora por experiência própria que a livre demanda é libertadora, quando você entende o que ela significa, de fato. Sim, eu reconheço, no começo ficava cansada de ter que dar de mamar a cada cinco minutos, já cheguei a me perguntar se era normal mesmo, já cheguei a tentar estabelecer uma rotina. Mas nada disso acalentou meu coração. O que aliviou minha alma foi ver que minha filha estava crescendo, desenvolvendo-se e feliz. Isso bastou para eu saber que estava no caminho certo.

Depois de um tempo o bebê passa a prestar atenção no mundo à volta, deixa um pouco as mamadas de lado e tudo vai ficando menos cansativo. No entanto, ele precisa desse tempo, praticamente grudado na mãe, não só pela questão da alimentação, mas porque ele precisa dessa segurança (falei a respeito desse outro lado da amamentação no post Amamentar é entrega).

Pronto! Mais um mito desmistificado. E lá vou eu para o quinto e último mito da série. Vou encerrar com chave de ouro falando sobre aquela velha ideia de que bebê saudável é bebê gordinho.

Ah, comenta o que você achou. Conta como foi sua experiência de amamentação. Ou então me deixe um abraço:)

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2 comentários sobre “Mito 4 – Seu bebê deve mamar a cada três horas, viu?

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