Mito 3 – O bebê chora sem parar? É cólica, certeza!

 

BB Japa - Pixabay

Minha filha nunca teve cólica. Não sei se por sorte ou por que fiz alguma coisa certa nesse tempo de maternidade, mas o fato é que aquela cena do bebê se esgoelando noite inteira não passou na novela da minha vida. Sim, claro, ela já me acordou umas três vezes chorando sem motivo aparente, mas era sempre por cansaço (quando ela não dormia quase nada de dia). Mas, lembro que, imediatamente, após o nascimento dela fiquei com MUITO medo de que ela tivesse a tal da cólica. Por isso, não queria saber: cortei chocolate, café (que eu AMO, bebo uma garrafa por dia), feijão, industrializados, leite (mas não de todo) e fui ser feliz selecionando tudo o que eu comia.

Dai você me diz: Mas então é por isso que ela não teve cólica!

E eu respondo: Não, não foi por isso!

Essa minha dieta hiper restrita não durou muito tempo. Fui introduzindo aos poucos os alimentos proibidos e percebendo que não influenciavam em nada na saúde, no emocional dela. Por isso voltei a comer normalmente, tudo o que eu comia antes, sem peso nenhum na consciência.

Comida Pixabay

Assim também não, né, gente! É muita avacalhação!

Até por que, nessa época, eu já estava uma mãe mais esperta, mais escolada e sabia que minha filha não tinha cólica por um motivo muito simples: contato humano, proximidade quase em tempo integral comigo, a mãe dela.

Pausa para vocês rirem de mim e da minha descoberta nada científica.

Contato humano, Cíntia? Mas todo bebê tem isso!

E eu respondo: Não, não tem!

Não da forma como eles precisam. E é agora, oito parágrafos depois que eu dou a informação mais importante do post (desculpa, faculdade de Jornalismo). 

Sim. Eu sempre achei estranho essa coisa de que cólica é resultado de um sistema digestivo imaturo, de que é gases, enfim. Por que não acontece com todos os bebês, então? Todos, tecnicamente, nascem com nove meses, etc. Além disso, quase todas as dicas envolvendo lidar com um neném cheio de cólica envolvem contato físico, simples assim. Remédios para o “problema” não funcionam. A maioria dos médicos nem indicam (com exceção da primeira pediatra da Valentina, que queria que eu prevenisse uma possível cólica na bebê dando remédio. Vê se pode!). Além disso, quase todos os pais que passaram pelo problema relatam que a cólica tem hora para começar, geralmente no finzinho da tarde. Ora, que dor orgânica é essa que tem hora marcada para acontecer e ocorre de modo igual com TODOS os pequenos?

Não. Para mim não tinha sentido. E foi pesquisando sobre outras coisas que cheguei no Dr. Carlos González (sempre ele! Perfeito!). Ele é autor do livro “Un Regalo para toda La Vida, Guia da Lactancia Materna”. Nessa obra, ele fala, entre outras coisas, da cólica. E o negócio é o seguinte: a cólica é um episódio quase exclusivo dos bebês ocidentais, em outras culturas é incomum um recém nascido sofrer disso. Ora, e o que diferencia o guri de lá do guri daqui? 

Menina faz careta - Pixabay

Sei lá! O olho puxado deles? Notou que não estou muito interessada nesse papo?

Colo. Proximidade. Acolhimento materno quase em tempo integral. Nós, Ocidentais, que implantamos esse negócio de berço, carrinho. Do lado de lá é comum a mãe (ou o cuidador) carregar o bebê em slings, dormir próximo a ele, na mesma cama, fazer as atividades sempre com o neném perto. Aqui não. Bebê dormiu? Corre para colocar ele no berço e ter um pouco de vida com dois braços à disposição. Ficar no colo muito tempo? Não pode! Ele vai te tiranizar, depois (falei disso no primeiro post da série. Olha lá). Quer andar com ele na rua? Vai de carrinho, não importa o quão difícil seja essa tarefa e o quanto o bebê não consiga ver nada do mundo. 

O Dr. Carlos González não diz que a cólica enquanto consequência orgânica não procede. Pode até ser. Ninguém sabe bem. É difícil pesquisar bebês, já que eles não falam e tal. O que ele diz é que esse choro incontrolável que costuma ser chamado de cólica é curado no colo da mãe. Ponto. Se você se interessou pelas palavras sábias do pediatra espanhol, clica nesse link. Tem um trecho do livro que citei lá. 

Então, minha gente, o que quero humildemente desmistificar não é a cólica em si, assim como o Dr. Carlos González, eu acredito que até pode ser, mas acho que, na IMENSA maioria das vezes esse choro ininterrupto do bebê é um pedido de socorro, ele quer calor, proximidade, quer a mãe. E digo isso não só porque foi assim que evitei a cólica na Valentina (acredito de verdade que foi meu colinho que evitou a choração dela), digo isso pela minha observação de que bebês que têm bastante colo, contato humano, são mais tranquilos em relação ao choro. E isso não é à toa.

Por isso quero convocar as mamães a darem MUITO aconchego para seus filhotes. O melhor remédio para a angústia dos recém nascidos (sim, eles também sentem angústia) é o calor do nosso AMOR de mãe. E isso vale para os crescidos também. 

Até que esse post foi curto!

Continue comigo que eu vou falar no próximo post do mito de que dar de mamar tem que ser de 3 em 3 horas, 15 minutos em cada peito, e por aí vai. 

 

 

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