Amar, mamar, mamãe

Mãe e bebe

Ele olha para você e põe as mãozinhas no seu rosto. Quer pegar no seu nariz, nos olhos, na boca. Quer saber se você é real e do que é feita. Está encantado desde o primeiro dia de vida. Por alguns meses o mundo dele era você, mas agora as coisas estão mudando. Ele está adquirindo habilidades, enxergando que o universo dele vai bem mais longe do que os centímetros que separaram vocês dois por tanto tempo. Ele deixou de ser sua parte e tornou-se pessoa. Na verdade sempre foi, só não tinha consciência disso. No entanto, vez ou outra ele te pede aquela atenção, pede para ficar perto, quer tocar você e sentir seu cheiro de novo por vários motivos: porque tem medo, porque está com tédio, porque está feliz.

Você está feliz desde que ele apareceu na sua vida. Foi, é claro, um choque tremendo ter alguém que queria saber se você era real e do que era feita. Era muita responsabilidade ser o mundo de alguém. Mas você fez seu papel e deixou ele confortável no universo que você representou para ele. Você aproveitou aqueles momentos a dois para tocá-lo também. Os cílios grandes, os olhos fixos em você, boca, nariz e toda a pessoa que ele tornou-se de hora para outra. Não foi de hora para outra, mas pareceu muito rápido, depois que a abstração tornou-se realidade.

Ele, seu filho. Você, a mãe dele. E toda a magia que isso significa. Naqueles momentos em que você o amamentava, seu mundo era ele. Nenhuma relação, por mais linda que seja, chega aos pés desse sentimento de exclusividade. Não, não é de posse. É pertencimento. Depois, quando ele cresceu um pouco  mais e passou a desviar a atenção para as coisas na hora de mamar, você se deu conta que o tempo passa assaz rápido e tudo aquilo que você viveu nos primeiros meses, desde o nascimento, são parte de uma das lembranças mais lindas de sua vida.

Ele bebia seu leite e seguia engordando. Saudável, feliz, crescendo (é mãe, eles têm que crescer!). Mas não era só o líquido branco a escorrer do seu seio que o fazia desenvolver-se tão bem. Era o amor que vinha junto. No toque, no olhar, nas sensações que ambos sentiram naquelas ocasiões em que o mundo de vocês era mesmo só vocês dois. Mas a vida segue o curso e os bebês tornam-se crianças. A amamentação pode durar um, dois ou cinco anos, mas acaba. Acaba?

O ato de mamar é finito. Sim. Tem que ser. Mas o amor injetado em cada veia daquele corpinho minúsculo continuará ali para sempre na lembrança inconsciente do adulto que ele se tornará. E esse amor vai sendo reforçado dia a dia com a rotina, os cuidados os sacrifícios que só a mãe mesmo é capaz de fazer pela gente. O tempo passa depressa quando somos bebês. Depois, com a idade, nem lembramos mais dessa fase. Não lembramos?

Feche os olhos e pensa em plenitude e amor de verdade. O que vem à sua mente? É ela, não é mesmo? Seu primeiro amor, sua vida pertencida, sua razão de existir. Mãe. Mamar. Amor. Não é por acaso que são palavras tão parecidas.

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2 comentários sobre “Amar, mamar, mamãe

  1. Claudine Bernardes disse:

    É maravilhoso ser mão, verdade Cintia? Quando o meu filho me disse pela primeira vez que me amava, meu mundo mudou. Ontem fui dura com ele, castiguei porque se comportou mal, ele chorou muito. No entanto, pela noite quando estava dando banho nele, me disse que eu era a melhor mãe do mundo. Então lhe perguntei: Ainda que te castigue? – Sí, mami. Foi a resposta. Como não amar, como não desejar mudar para ser melhor mãe? 🙂

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    • Cíntia Ferreira disse:

      Realmente são muitos os desafios (a Valentina começou aquela fase de querer contrariar…rs), mas o amor que sentimos é algo tão único que vale todo o trabalho que eles dão. Eu estou adorando. Espero que um dia a Valentina também me fale que sou a melhor mãe do mundo.

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