Por que não lembramos de quando éramos bebês?

Bebê PB

O começo desse post será um pouco diferente. Vou contar uma coisa que aconteceu comigo quando eu era um bebê da idade da Valentina, de cerca de 1 ano.

?????

Você deve estar pensando: ou isso é ressaca de fim de ano ou essa mina ficou muito louca com a maternidade. Como assim ela lembra de quando era bebê? NINGUÉM LEMBRA!

Pois é. Não estou de ressaca (amamentação = sem álcool), nem fiquei louca. Só comecei assim para introduzir um assunto que é pouco falado, pouco estudado e diz respeito a todo mundo: a memória dos bebês. Claro que não lembro de quando tinha um ano, mas há estudiosos que defendem que essa memória da primeiríssima infância está armazenada em algum lugar do nosso ser, mas não temos acesso. No entanto, esse é um tema para lá de controverso.

Para começar é importante dizer que pesquisas envolvendo bebês, ainda mais as relacionadas à memória, são novas. Além disso, é difícil estudar esses pequenos. Eles não falam, né, gente? É um pouco difícil saber o que eles estão sentindo.

Baby chorando

Ninguém me entende. Logo eu que sou pura fofura!

Mas tem jeito e os cientistas estão cada vez mais interessados no assunto. Lá vai o que eles descobriram até agora.

Seguinte: para formar memória, nosso cérebro precisa fazer sinapses, conexões entre neurônios. É tudo meio que um quebra-cabeça: cada peça em um lugar, para formar a figura tem que unir os componentes. Por exemplo, uma parte do cérebro armazena o cheiro, outro, o visual, outro, a audição e assim por diante. Essas memórias sensoriais entram junto em um lugar chamado Hipocampo. Nessa região acontece a união das memórias e a formação do fato, de fato (gostou?). Assim forma-se a memória. Para que ela dure, de vez em quando, temos que acessar esses arquivos.

Há vários tipos de memória. Não vou falar de todas, mas daquelas que interessam ao que estou falando.  Há uma que os pesquisadores chamam de semântica, que diz respeito a toda memória baseada em conceitos, que não são derivadas de experiência pessoal. O nome das cores, vocabulário, nomes de lugares e por aí vai. Há outra denominada episódica, essa sim é aquela que faz a gente lembrar do que comeu ontem (nem sempre), do namorado que deu um chute na gente na adolescência, enfim, tudo o que diz respeito à nossa biografia.

Há também a memória implícita, que faz o bebê associar o cheiro da mãe à sensação de aconchego. É também ela que faz o motorista dirigir sem precisar seguir um manual de instruções todo dia. Não depende de um esforço consciente. Guardem essas definições porque o negócio vai ficar um pouco mais complicado agora.

Gato olhando

Tô prestando atenção

Estudos já comprovaram que bebês tem memória sim. O fato de não lembrarmos esses primeiros anos é chamado pelos pesquisadores de amnésia infantil. Nas últimas décadas, houve avanço significativo nas pesquisas relacionadas ao assunto. No entanto, mesmo na Ciência não há muito consenso. A Neurociência defende uma coisa, a Psicologia outra e você vai ter que escolher qual delas é mais crível. Eu já escolhi a minha. Depois conto.

Segundo os neurocientistas, o cérebro nos primeiros anos ainda está em formação, dessa forma, é natural que ele seja bom em algo e nem tanto assim em outra (não dá para ter tudo). Nesse comecinho, os bebês aprendem muito e o tempo todo: locomoção, linguagem, socialização, regras de etiqueta, etc. O cérebro aumenta 75% nos dois primeiros anos. Já o Hipocampo, aquele citado no começo, só amadurece entre os 12 e 18 meses. Nesse contexto, o bebê sabiamente está mais interessado em adquirir conhecimento do que a formar memória da primeira papinha degustada. Nessa fase, a memória semântica é mais importante do que a episódica. Faz sentido. Mas tem cientista que diz que o buraco é mais embaixo.

Freud - PIxabay

Freud: daqui a pouco eu entro na história

No começo da nossa vida a linguagem ainda não se desenvolveu. Dessa forma, sem essa capacidade narrativa, não há como desbloquear o que seriam as memórias episódicas. Ou seja, sim nós temos armazenada a memória dos primeiros anos, mas o manual está em um idioma que ninguém entende, somente os bebês, mas eles não falam, então já deu para entender a confusão. Quem diz isso é a Psicologia. A teoria também é boa, pois é só lembrar que as nossas memórias coincidem mais ou menos com o período de alfabetização.

Já outros pesquisadores defendem que não lembrar dos primeiros anos é um mecanismo de repressão para proteger lembranças fundamentais, que formam nossa personalidade. Freud (achou!!!!!!!!!) diz que ela existe para proteger o ego de memórias traumáticas e até sexuais. No entanto, elas estão lá em forma de memória implícita e são ativadas quando temos reações emocionais estranhas até mesmo a nós mesmos.

Bom, eu gosto mais dessa última teoria. Acredito que não lembramos de quando éramos bebês porque não é para lembrar mesmo. Toda a experiência dessa fase fica em nós como memória emocional e molda nossa personalidade a vida inteira. Mas essa é só minha humilde opinião. E vocês, o que acham?

Ah, nesse site aqui tem uma matéria bem detalhada sobre amnésia infantil. Dá uma olhada.

Anúncios

Um comentário sobre “Por que não lembramos de quando éramos bebês?

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s