Amamentar é…entrega

Mãe amamentando Pixabay

Aleitamento materno. Ô assunto para causar polêmica! Verdade! Do jeito que o assunto é tratado, não me surpreenderia ver uma chamada qualquer dia desses em um  programa sensacionalista: “mãe diz: não consigo amamentar!“, ou “vou dar de mamar para o meu bebê até quando ele quiser“; ou ainda “meu recém nascido fica grudado no peito 24h por dia e você não tem nada a ver com isso“. Como as pessoas se intrometem quando o assunto é amamentação! Devia ser mais simples, não? Nós aprendemos na aula de Biologia da tia Lúcia que somos mamíferos, logo nossos filhotes mamam para ficar fortinhos, resistentes, pelo tempo necessário para eles. Estou errada? Faz muito tempo que fiz essa aula, mas minha mente guardou certos fragmentos.

No entanto, bastou nascer uma mãe para choverem palpites a respeito do leite que é fraco, do peito que racha, do neném que não te larga nunca, do pediatra dizendo que tem que ter horário cronometrado no relógio, de três em três horas, quinze minutos em cada peito, como se fossemos robôs programados, do estilo “AI – Inteligência Artificial”.

Robô - Pixabay

Fui programado para te amar, mamãe!

 

E a coitada da mãe nessa hora, totalmente perdida por estar enfrentando um tremendo desafio e também por causa de um troço chamado puerpério (nome difícil, mas que explica por que choramos, sorrimos, duvidamos, acreditamos, tudo ao mesmo tempo) acaba sendo levada para lá e para cá, ao sabor das circunstâncias.

Mas (aha!) nem todas caem nesse papo todo. Algumas fecham os olhos e pensam no bebê, no que ele quer. Eu fui uma dessas. Ainda bem! Hoje já vejo o quanto minha decisão lá atrás de estipular “livre demanda” na amamentação foi acertadíssima.  Minha pequena cresce firme e forte, linda, saltitante e extremamente feliz. Acho que mamaẽ aqui tem mérito nisso. Vou explica por quê.

Assim que a Valentina nasceu, um mar de sensações contraditórias invadiu meu ser. Eu estava feliz, eu estava triste, mas, sobretudo, eu estava perdidona.

Lost - Giphy

Minha filha sempre foi um bebê sedento por mamar. No começo, o tempo todo; depois, mais espaçado, mas sempre mamando, muito, muito mesmo. Nos primeiros dias cheguei a pensar: Deus, isso é normal? Veja bem, não convivi com bebês e não era muito interessada neles antes. Minha ideia de amamentação era aquela três em três horas, por quatro meses e fim de papo.

Duas coisas me ajudaram a mudar esse meu pensamento: informação e intuição.

A informação eu obtive participando de um curso de gestantes na maternidade onde a Valentina nasceu. Foi lá que ouvi sobre livre demanda. Lembro que a palestrante que falou sobre amamentação ligava sempre o ato de dar de mamar com entrega. Acho que guardei bem isso. Depois, procurei mais informações   no mundo do Seu Google. Foi nesse mar de links que encontrei o melhor relato/conselho sobre amamentação. Direto do Blog Família Nesguinha, pela sensibilidade da Gab, encontrei minha turma e confortei meu coração. 

Munida de muitas dicas de gente boa, que entende que amamentar é mais do que alimentar seu rebento por X meses, segui minha intuição e deixei minha filha mamar o tempo que ela quisesse (muitas vezes por horas seguidas mesmo), pela quantidade de meses/anos que fosse importante para ela (isso é livre demanda, basicamente). Hoje, com 11 meses, ela ainda mama. Noto nela ainda um apego muito forte ao mamá. Por isso, nem ela, nem eu estamos prontas para o desmame. Mas isso nem é recomendado.

A Organização Mundial de Saúde indica amamentação exclusiva por seis meses e complementar por dois anos ou mais. Isso não é capricho da OMS, é bom senso. É pensar no bebê primeiro. Nas necessidades de um ser que acabou de chegar nesse mundo e precisa sim de um local acolhedor, onde ele possa sentir que é amado, querido, bem-vindo. E que lugar melhor do que o seio da mãe, onde ele tem o cheiro conhecido, o calor da mãe, a voz, a proximidade com um corpo que o abrigou por nove meses?

Garota emocionada - Pixabay

Ai meu Deus! Isso é tão lindo!!!!!!!!!!

Mamar para um bebê é  voltar para o seu primeiro universo de plenitude. Existe até teoria sobre isso. Chama exterogestação. Nela, o grande princípio é entender que o neném ao nascer precisa de tempo para se desenvolver emocional e fisicamente bem aqui fora, já que o tempo de gestação dos bebês humanos é curto, pois, do contrário, mamãe não teria condição de parir uma criança de, sei lá, sete, oito quilos, pois o canal vaginal não tem capacidade para esse tamanho de pessoa, né?

O bebê precisa da mãe demais nesse comecinho. E por isso esses conselhos de transformar a amamentação em um relógio programado para se autodestruir não se fundamentam. Confesso que, no início, eu ficava bem cansada sim de estar com um neném sugando e sugando infinitamente, mas toda vez que batia esse desânimo eu olhava para a cara da minha princesa e via a expressão de satisfação que ela fazia, sem querer (lembro bem do sorriso de êxtase dela, logo depois de mamar, nas primeiras semanas).

Longe de mim querer dar conselhos ou coisa parecida. Nem quero diminuir as mamães que por algum motivo não conseguiram amamentar. Quero só deixar expresso que amamentação é coisa mágica demais. Ela faz toda a diferença, não só para a saúde dos nossos pequenos, mas também para a auto estima, segurança, felicidade e um monte de outras boas coisas que eu não vou enumerar para não deixar o post mais grandão do que já está.

Mas acho que já dei o meu recado. E vocês, o que acham?

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5 comentários sobre “Amamentar é…entrega

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